Wednesday, May 28, 2008

73 / Brincar Com o Fogo

Se olharmos com alguma atenção para a imprensa em geral – e para os jornais em particular – verificamos que há um acentuado aumento do número de notícias referentes: 1) à Polícia; 2) a polícias; 3) a assuntos policiais. Quanto aos últimos nada se pode fazer, pois é o papel que o Estado, enquanto demissionário de diversas politicas sociais, reservou para nós. Quando se fala de polícias, a título individual e particular, raramente é para mostrar, indicar, apontar, enaltecer, enfim de alguma maneira, falar positivamente do indivíduo, da pessoa humana que, por ser polícia, adquiriu valências que a sociedade tem usufruto delas. Pela negativa… vou ali e já volto! Finalmente a Polícia, a Instituição. Muitas das vezes, parece ser «uma coisa que está ali» e que serve para falarmos mal. Mas não é isso que agora se pretende dizer. O que se pretende chamar à atenção é o seguinte: há já vários anos que a Polícia de Segurança Pública tem servido de joguete dos políticos: usam-nos, fazem-nos promessas, passam-nos as mãos pelo lombo [enquanto oposição]; no poder, só não nos tiram mais porque… parece mal, ou ainda não foi oportuno. Mas as novas investidas estão aí: começam por lançar na imprensa determinadas «notícias» e depois aparecem os desmentidos. Parece que há uma pesca à distância: lançam o isco a ver qual a reacção. O caminho, a ser por aí, é muito perigoso. Já basta que nos confundam com funcionários públicos – embora formalmente já o sejamos – porque a realidade, a curto prazo, vai ditar a incoerência da decisão. Agora, duma vez por todas, deixem de brincar com o fogo, pois um dia destes queimamo-nos todos. Com aquele fogo que arde sem se ver, sem ser propriamente… amor.

Tuesday, May 20, 2008

72 / Disfuncional

Idos de 2004 - A estratégia de segurança usada por Portugal durante o Euro 2004 criou um modelo que pode e deve ser utilizado por outros países
Um dos grandes resultados do Euro 2004 foi o modelo de policiamento adoptado para o efeito: o modelo dos Níveis de Intervenção. Um modelo de baixa visibilidade, proactivo e enérgico quando necessário. A polícia deixava de aparecer musculada e ofensiva para aparecer, cooperante, compreensiva, mas também altamente segregacionista – no que à separação de adeptos complicados dizia respeito – e judicialista [pronta apresentação em Tribunal dos desordeiros]. Num estudo publicado no Weblog do Prof. Dr. Otto M.J. Adang, encarregado da Cátedra Manutenção de Ordem Pública na Academia Holandesa de Polícia, Professor Visitante na Universidade de Liverpool e na Academia Sueca de Polícia, diz que o modelo de policiamento criado por Portugal para o Euro 2004 foi um sucesso. Dois Professores seus acompanhantes, Martina Schreiber e Clifford Scott, ambos da Universidade de Liverpool, para descreverem a eficácia da polícia, referiram um comentário de um adepto alemão que quando confrontado com um grupo de adeptos rivais disse: «Eles provocaram-nos e queriam começar uma luta. Mas antes de o conseguirem, os polícias à paisana, que estiveram lá sempre, detiveram-nos». Chegámos à nossa questão: os polícias à paisana, os Spotters. Esta figura, que foi um dos pontos de honra e de sucesso policial do Euro 2004, tem vindo a ser desvirtuada. Serve para quê, se andam com os coletes a dizer «polícia» desde o princípio ao fim do policiamento? Quem autoriza e implementa estas medidas não pode deixar de estar muito enganado, pois não foi esse o espírito da sua criação. O Spotter é sempre um intermediário entre a tensão existente no local do evento e a ‘carga policial’. O Spotter, como acompanha grupos de adeptos, não faz carga policial, até porque está à paisana. O que se viu no Estádio Nacional no passado domingo, na Final da Taça de Portugal, com Spotters a fazerem carga policial, deita por terra um trabalho honesto e difícil, feito ao longo dos anos, a nível nacional, por verdadeiros Spotters, junto dos adeptos das equipas locais. Os polícias à paisana com colete de polícia que fizeram a carga, com bastões extensíveis [a PSP já fornece este material? Se fornece, desculpem a ignorância] não sabem o mal que fizeram junto aos seus camaradas de outros Comandos onde há futebol. Um Spotter não faz carga, a não ser em situações especiais. Não foi o caso.

Sunday, May 11, 2008

71 / Distracção – (3)

Afinal também nós andamos distraídos. Sem desculpas, mas o facto é que os assuntos são tantos, a selecção dos artigos é exigente, não há tempo para digerir a agenda, resultando o que resultou. Então, não é que ao fazermos o post 66 / Começar Mal (ponto final) demos por encerrado um assunto das colocações dos oficiais? Só mesmo uma grande distracção. É que para além dos Intendentes que foram colocados, ainda só (!) falta movimentar os Subcomissários que foram promovidos a Comissários e destes, os que foram promovidos a Subintendentes. Distracção imperdoável.

70 / Trabalhar por Objectivos

Todas as organizações trabalham por objectivos. Sejam elas públicas ou privadas. Há objectivos que, pelo empenho, podemos com maior ou menor dificuldade atingir: dependem de nós. Há outros, refectindo-se na nossa área de actuação, pouco ou nada podemos fazer, limitando-nos a registá-los: não dependem de nós. Há outros que, não dependendo totalmente de nós, mas também, sendo facilmente alcansáveis podem ter o efeito perverso, pois o registo do fenómeno, se não for bem analisado, corre a desfavor. Em todo o caso, anualmente, quando analisamos os números [que erradamente insistem em chamar estatística] verificamos que há uns números [registos de crimes] que sobem, outros que descem. É normal. O que não é normal é crucificarem uma organização porque tem objectivos. Menos normal, é o representante dessa organização, sentir a necessidade de vir comentar o comentário do comentarista que comentou o que ouviu dizer que havia sido comentado, algures numa região do país. Todos temos objectivos.

Thursday, May 8, 2008

69 / Distracção - (2)

A Ordem de Serviço da DIRECÇÃO NACIONAL n.º 73, II PARTE de Quinta-Feira, 08 de Maio de 2008 diz o seguinte: "Art. 1.º- CHEFES: Colocação na EPP de Um Chefe para Funções Docentes: Por despacho de 2MAR2008, da Directora Nacional Adjunta, [ainda T. Caupers] para a área de Recursos Humanos, é colocado na EPP, na situação de diligência sem direito a ajudas de custo, a fim de exercer funções docentes, o Chefe M/(omitimos o número) – (omitimos o nome), do (omitimos o Comando) com efeitos a13MAI2008." Consultado o Estatudo do Pessoal da PSP [Dec-Lei 511/99, de 24 de Novembro], num dos seus artigos, verifica-se o seguinte: "Funções - Artigo 39.º - Descrição de funções - As funções genéricas a desempenhar pelo pessoal com funções policiais são as constantes do anexo I ao presente Estatuto, de que faz parte integrante, sem prejuízo de lhe poderem ser atribuídas outras funções que resultem necessárias por imperativo da missão cometida à PSP." Consultado o Anexo I, [Quadro a que se refere o artigo 39.º - Principais funções do pessoal técnico policial], e no que refere a Chefes e Subchefes as funções elencadas são as seguintes: "Funções ligadas ao planeamento coordenação e controlo nos sectores de pessoal de material, de instrução e de execução de trabalhos técnicos"; "Adjunto de comando de unidade ao nível de esquadra"; "Serviços operacionais e serviços internos." Não há Funções Docentes para Chefes porque o legislador assim o entendeu, pois atribui essas funções a outros postos. Pergunta-se: o indivíduo em questão poderá execer funções docentes? Poderá, mas não na qualidade de Chefe. Ou então pura e simplesmente enganaram-se na Ordem de Serviço e este post não fará qualquer sentido. Ou fará?

68 / Distracção

Surpreendentemente, os jornais através dos seus jornalistas/cronistas, plasmaram o seu espanto: um pedófilo pode adoptar crianças. Dizem eles que consultaram vários entendidos em direito e todos confirmaram o facto: os pedófilos podem efectivamente adoptar crianças. Perguntamos nós: em que mundos têm andado os senhores jornalistas/cronistas para demonstrarem tão pasmado espanto? Antes de mais, é preciso explicar aos srs. jornalistas/cronistas, que o simples facto de terem umas lições pontuais sobre determinada matéria de direito, ainda que com a absorção total do seu conteúdo, não faz deles peritos. Daí a maior parte das vezes descontextualizarem as conclusões. Segundo, é mentira que um pedófilo possa adoptar uma criança. Vejamos: uma sociedade é feita de normas, regras, leis, ética, moral, tradição, etc. Há um ordenamento jurídico. E diz o nosso ordenamento jurídico, que uma pessoa condenada, e após cumprida a pena, mantém no seu registo criminal, durante um determinado período de anos, consoante o número de anos a que foi condenado, esse mesmo registo. Cumprida a factura à sociedade, esse registo limpa, desaparece. Ora se as normas que nos regem dizem, que ao fim de determinado número de anos, a dívida está paga, é óbvio que esse traço desapareça do seu registo. Respeita-se aquilo que os doutores chamam a protecção da eminente dignidade da pessoa humana. Logo, passados esses anos, se não há registo, se o (ex)criminoso não foi novamente condenado, se está limpo, não há registo que ele é pedófilo. Se não há registo é porque... não é pedófilo. Não sendo pedófilo, pode [candidatar-se a ] adoptar. Simples, não é?

Monday, May 5, 2008

67 / Tibúrcio

Este senhor, que era Procurador Geral no Porto antes de se tornar Director Nacional da Polícia Judiciária, teve todas as oportunidades de se demitir. Este senhor deu todas as oportunidades ao Governo para o demitir. Mas nunca aconteceu. No caso McCann, para além de o ter praticamente deitado abaixo, e com ele o nome e o prestígio da PJ, ficou danado com umas observações -correctíssimas- dum Inspector e demitiu-o. Nas noites do Porto, ao ser nomeada uma equipa especial, deveria ter-se demitido. Não o fez. Ele andava à procura. Finalmente encontrou: após a aprovação da nova lei orgânica da PJ, em que o mesmo obviamente participou, o primeiro comentário que faz à mesma é dizer que a PJ afinal deveria mudar de Ministério. Já dizia o outro: «calado és um poeta!».

66 / Começar Mal (ponto final)

Na sequência de posts anteriores com o mesmo título, pode-se dizer que finalmente vão tomar posse os novos Comandantes Distritais. Hoje, dia 5 de Maio. Já não era sem tempo. Embora se perceba: a Casa deve estar mesmo desarrumada. Contudo apela-se ao espírito missionário (não à posição) pois só assim se poderá levar a peito tamanha tarefa que é a de recredibilizar a Polícia de Segurança Pública. Não, não se refere aqui a uma qualquer passagem de imagem para o exterior. O que está em causa é, como já foi dito anteriormente [ver mensagem 54 / A Posse] é a Integridade, Frontalidade, Exigência, Ética, Tradição, Disciplina, Honra e Unidade. Estes são os princípios basicos para todos nós. Boa Sorte e Bom Trabalho

Tuesday, April 29, 2008

65 / Ooops...!

Na sequência do último post [ 64 / Last Man Standing, de 28ABR08] o Ministro da Administração Interna, Rui Pereira, entre muitas coisas disse isto: "A própria esquadra da PSP de Moscavide dispõe de mais de 40 agentes. Portanto, queremos que o trabalho de polícia seja organizado, para que nunca esteja apenas um agente dentro de uma esquadra". Logo, o MAI não sabe que com 40 (quarenta) agentes, só dá para haver 8 (oito) por turno. Desconhece profundamente as obrigações que uma Esquadra de Polícia tem. Façam-se as contas e veja-se que haverá alturas que para formar um Carro Patrulha.... Ou seja, o MAI tem que começar a ficar calado porque a PSP tem um Director Nacional que pode responder adequadamente às questões de polícia. E fê-lo. Da seguinte maneira: "Não há responsabilização nenhuma. A atitude tomada foi uma atitude lógica". A última vez que há registo de um Director Nacional vir a lume defender os seus agentes... não era um Director Nacional. Era um Comandante-Geral. Não há dúvidas que Oliveira Pereira, foi um verdadeiro Comandante e não um mero director geral de serviços. Aplaude-se!

Monday, April 28, 2008

64 / Last Man Standing

Da tradução do título «Último Homem de Pé», refere-se a um filme de um indivíduo condenado à morte. Salvaguardadas as distâncias, é a imagem que aparece quando se sabe que um homem isolado, polícia, numa Esquadra de Polícia, num centro de uma cidade, foi agredido. Ele e o indivíduo que se encontrava a apresentar queixa. Por uma dezena de outros indivíduos que entraram pela Esquadra adentro. E foram-se embora. Não foi o primeiro caso, mas da forma como a imprensa anda assanhada, cheira que venha daí borrasca. E ainda bem, pois há já muito tempo que se vem alertando que extinguir a Patrulha n.º 1 não só é vergonhoso, como perigoso. Vergonhoso, pois se não conseguimos ter um representante mínimo à nossa porta, de que adianta mandar efectivos para as portas das escolas, efectivos a executar mandados judiciais ou a dar protecção a solicitadores de execução que ganham numa tarde mais do que um polícia num mês? Perigoso, porque o resultado está à vista. O mais chato no meio disto tudo é, mais uma vez, um dirigente sindical, vir em directo para a rádio, dizer que todas as esquadras são assim; e que lá dentro há armas e munições. Obrigado Sr. Ramos. Com amigos assim não precisamos de inimigos.

63 / Policias Especiais

Princípio: não se pode comparar o incomparável. A recente polémica em volta do Grupo de Operações Especiais da Polícia de Segurança Pública (GOE/PSP) que irá, eventualmente, [em português, porque em inglês (eventually) significa certamente] ao Brasil, Rio de Janeiro, para efectuar um treinamento com o Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro (BOPE/PMRJ) é exemplo disso. A polémica estalou após a difusão dessa notícia, quase em simultâneo com a divulgação de uma reportagem da SIC, realizada no Rio de Janeiro, em que a jornalista, excitadérrima, diga-se de passagem, foi apresentando as virtudes daqueles homens. O Bloco de Esquerda (BE) foi o que mais repudiou a idéia, certamente recordando o quão mal faziam as visitas que alguns dos seus elementos faziam aos países da cortina de ferro, pré 1989. É capaz de ter razão. A Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP), através do seu presidente, fez um alinhamento idêntico. Meio: repete-se, mais uma vez: a PSP não tem necessidade de se expôr, como o tem feito, aos media. Eles nunca hão-de entender o que é ser polícia, por mais que se explique, por mais que durmam connosco. Fim: O Batalhão de Operações Especiais (BOPE/PMRJ) é uma tropa de elite da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro; o Grupo de Operações Especiais (GOE/PSP) é uma unidade de elite da Polícia de Segurança Pública de Portugal, uma das raras unidades civis deste tipo. O BOPE/PMRJ é uma unidade militar estadual entre as muitas que existem no Brasil; o GOE/PSP é uma força especial, composta por elementos que primeiro tiveram que pertencer à PSP, e é de âmbito Nacional. Conclusão: embora não se deva comparar o incomparável, como foi caso, só assim se poderá perceber o que está por trás duma polícia e da outra. Não há dúvida alguma que as favelas do Rio de Janeiro são o corolário da demissão continuada do estado de direito. Em Portugal, para efeito comparativo, «nós por cá todos bem». Quanto à viagem de treinamento: quantas mais melhor. Quanto mais experiência melhor. A sua aplicabilidade em Portugal? Com as regras portuguesas. De Estado de Direito.

Monday, April 21, 2008

62 / Onde Estávamos a 21 de Abril de 1989?

Se não fosse o homem do lado, provavelmente o movimento sindical da PSP não tivesse tido o trajecto que teve. Mas, passados estes anos todos, o que são os sindicatos, os sindicalistas e qual a sua relação com os polícias? Havendo sindicatos para (quase) todos os gostos, não havendo limitações à sua constituição, o que temos hoje em dia, são grupos organizados que fornecem umas folgas extras a alguns dos seus associados. Pelo caminho, vão fidelizando associados, na medida que estes se fidelizam na conta do telemóvel (barato) que puderam comprar por pertencer ao sindicato. Fazem-se mais uns seguritos, e... pouco mais. Ou seja, grosso modo, o movimento sindical na PSP está completamente descredibilizado. Não porque não consigam chegar à fala como os Directores Nacionais ou Ministros, porque o conseguem. Então o que se passa? É que os sindicatos estão moral e eticamente pelas ruas da amargura. Em Abril de 1989, após aqueles acontecimentos no Terreiro do Paço, pensou-se que se daria um grande salto em frente. Foi um redondo engano. É com mágoa que, passados estes anos todos, não se tenha evoluído e se tenha caído na actual estagnação. A todos os que lutaram e sofreram para que fosse criado o movimento sindical na PSP, a nossa homenagem. Aos actuais líderes, o desejo que se concentrem no essencial, que acabem de vez com maus hábitos e que falem mais para dentro do que para fora, pois é dentro de casa que os problemas devem ser resolvidos.

Silveira Godinho
NOTA MUITO IMPORTANTE: Esta mensagem tem-se mantido com a foto única de Dias Loureiro. Hoje, 25 de Abril de 2011, descubrimos o erro. Publicamos a foto do MAI da altura mas mantemos a mensagem original

Tuesday, April 15, 2008

61 / Polícias, Jornalistas e Sindicalistas

No post anterior falou-se aqui na necessidade de uma estratégia de comunicação da PSP, sobretudo no que tem a ver com os media. Claro que o assunto não se esgota aqui, até porque há a comunicação interna. Mas, o que interessa agora, é focar o seguinte: a combinação POLÍCIA / JORNALISTAS não funciona. Aparenta funcionar, mas não. Quando anunciamos os resultados de encher o olho, estamos a servir mais os interesses dos jornais que os policiais. Ao contrário, a combinação JORNALISTAS / SINDICALISTAS, é uma relação perfeita: os sindicalistas tentando mostrar algum serviço (?), os jornalistas, perscrutando eventuais denúncias, veiculadas pelos lídimos representantes da classe trabalhadora, dos escandalosos e hediondos abusos praticados pelas chefias, há que publicar. O exemplo está estampado na edição da passada segunda feira, 14 de Abril, em que o JN, nas suas três edições [Nacional, Norte e Porto] acusa o Comandante do COMETPOR de ter desviado recursos humanos para o funeral de um familiar. Será que é notícia de 1ª Página? Será sequer que é notícia? A denúncia foi feita por um sindicato que entretanto mudou de pele [ou de nome].[NOTA do Policíadas: Só falámos da questão 'notícia'].

Sunday, April 13, 2008

60 / Insegurança, Sentimento de

O 'Sentimento de Insegurança' que as pessoas dizem ter, sobretudo nas cidades, poderá ter origem na falta de uma estratégia nacional de relações públicas da própria Polícia de Segurança Pública. Há uns anos atrás - vá-se lá saber por que carga de água - os Ministros da tutela passaram a querer dar umas entrevistas, sobretudo às televisões, após terem passado umas horitas numas rusgas programadas para serem filmadas. Depois [os jornalistas] a nosso convite, começaram a andar dentro dos carros da polícia. Belas reportagens. Quando não havia assunto, fazia-se para que houvesse. Depois, as Operações Stop: estradas fechadas durante horas, que terminavam [terminam] invariavelmente quando aparecia [aparece] o Sheriff para as bocas finais. Depois foi a droga: era de meter inveja ver as notas todas alinhadinhas em cima duma mesa e, invariavelmente por trás, o placard indicativo de qual a unidade especial que tinha feito o serviço. Falámos demais com os jornalistas e para os jornalistas. Pretendemos transmitir em poucas horas, ou dias, aquilo que leva anos a apreender e nem todos lá chegam. O resultado está à vista. Todos falam, todos aparecem. Dão-se entrevistas, fardados e veiculam-se opiniões pessoais e não institucionais. Os Jornalistas que andaram connosco, agora falam e são pagos pelos media como autênticos peritos da [e na] matéria. Está na hora de, a PSP, meter as mãos à obra e ser ela própria uma Agência de Informação. Fechar as portas. Começar de novo. Podemos começar por mudar a página da Internet [que diga-se de passagem, o adjectivo mais atraente para a classificar é de HORRÍVEL] tanto nos conteúdos como no seu aspecto. Deve-se apostar em Núcleos de Relações Públicas que veiculem o que é a Polícia Nacional, sem deixar de autorizar que estes actuem localmente. Concluindo, deve-se entregar a tarefa a gente profissionalmente autorizada e competente. A informação actual, célere, objectiva, acutilante e não ao contrário do que tem acontecido até agora que é informação meramente reactiva, far-nos-á donos efectivos da mesma e seus controladores. E quem controla a informação...

Wednesday, April 9, 2008

59 / COMEÇAR MAL (talvez sim)

Com o passar dos dias, mais ficamos convencidos que o DN está com dificuldades em formar equipa. Já foi aqui abordada a questão, tanto em posts anteriores [55 / Começar Mal, 56 / Começar Mal (ou não)] como em comentários, aliás bastante oportunos: há Oficiais com o EGO enorme. Há Oficiais que após ‘convite’ para exercerem determinado cargo, recusam. Preferem ir para outros locais. Há os que já se terão esquecido dos odores da profissão, pois são mais os anos que estão fora, que os que passam na organização. Ocupam vaga, usufruem salário igual e ainda têm contrapartidas por estarem fora da organização. E há ainda os não listados para redistribuição. Finalmente, os mais comuns, os que realmente sentem e vestem a farda, acabam por ir parar a «cascos de rolha» como sói dizer-se. Assim não vamos lá!

Monday, April 7, 2008

58 / A Função Pública - (2)

Há dias, um estudo do Ministério das Finanças e do Ministério do Trabalho e Segurança Social, apresentava os vários índices de absentismo tanto na função pública como no sector privado. Uma comparação. A taxa de Absentismo, em Portugal, varia entre os 3,3% e os 11,6%. A média de absentismo no sector privado, em Portugal, é de 7%. No sector público a média é de 6,3%. No sector público, a média mais elevada, 11,6% é, para grande surpresa – ou talvez seja somente para quem ande distraído – do Ministério das Finanças. O mais baixo, 3,3%, pertence ao Ministério da Administração Interna, ou seja o Ministério que tutela – entre outros serviços e forças de segurança – a PSP. Talvez por termos uma taxa de absentismo tão baixa é que querem que passemos ser funcionários públicos.

Saturday, April 5, 2008

57 / A Função Pública

Tem-se ouvido falar, nos últimos tempos, numa lei que vai equiparar os Polícias (PSP) a funcionários públicos. Ficam de fora os Militares [do Ministério da Defesa] e os Militares da GNR [Ministério da Administração Interna]. Pasme-se! Imagine-se se tamanha baboseira tiver pernas para andar! Não há dúvida que a Polícia de Segurança Pública, tal como o seu nome indica, tem funções de interesse público. Mas daí a dizer que somos funcionários públicos, vai uma grande distância. Mas esta asneira tem culpados: primariamente os militares que nos comandavam e nos tratavam como seres menores. Aos poucos foram saindo e deixaram por cá uns vírus, umas bactérias. Fruto disso, e diga-se, com muita legitimidade, Sindicatos começaram a exigir civis na organização, pois os que substituiram os militares não tinham a competência destes, mas dobravam na arrogância, certamente fruto de uma grande inexperiência e vontade de mostrar serviço. Vieram os civis que passaram a ignorar-nos, com o dobro da incompetência dos anteriores e uma soberba inaudita. O resultado está à vista. Concluindo: a culpa é transversal, mas tal como na quinta de Orwell, onde uns eram mais iguais que outros, neste caso, também haverá uns mais culpados do que outros. E adianta alguma coisa? Que tal pararmos com as falas dos corredores, assumirmos alguma frontalidade e não deixarmos que pensem por nós?

Friday, April 4, 2008

56 / Começar Mal (ou não)

Foi dito no post anterior que a demora [nas colocações] era má. Claro que se infere que a precipitação seria pior. Compreende-se que seja necessário ir ao Ministro apreentar as listas [que esperemos, em definitivo, se acabe com o síndrome das Listas de Caupers] embora o DN tenha carta branca. Nestas coisas, a celeridade, não a precipitação, repete-se, é fundamental: demonstra que já pensa há algum tempo, que tem um projecto. Sim, a partir de determinadas categorias hierárquicas, não basta andar por cá. É preciso pensar em eventualidades, estar-se pronto. Daí ter-se dito que a demora era má. Claro que se tem que dar o benefício da dúvida. Mas a demora continua a ser má. Dá a sensação de que apesar de se almejar o cargo, não acreditou mesmo que viesse a alcançá-lo. Se assim foi... paciência. Se por outro lado, a demora significa andar a apagar fogos junto de oficiais com egos elevados... não é começar mal, é um anteprojecto de suicídio em massa. Em todo o caso, sexta-feira, 4 de Abril, 2008, começa uma nova era. Beneficiemos, por uns tempos, da dúvida.

Tuesday, April 1, 2008

55 / Começar mal

Com o passar dos dias após a tomada de posse do novo Director Nacional da PSP, com a demora das colocações dos novos promovidos, com a não publicação de diversos diplomas há muito anunciados e preparados, só podemos -até prova em contrário, como sempre, não é?- chegar a uma conclusão simples e singela: afinal não havia estratégia nenhuma. O Sr. Director Nacional se tivesse alguma estratégia, algum plano definido, alguns objectivos a atingir desde já, embora com repercussões a médio e longo prazo, no dia a seguir à sua nomeação colocava todos os Comandantes Distritais, fossem de Comandos Complexos ou não. A demora, neste caso, é má.

Monday, March 24, 2008

54 / A Posse

Ao tomar posse, o novo Director Nacional da PSP, terá certamente que ter em mente as altas expectativas que nele são depositadas. Por estar entre nós há muitos anos, por ter currículo militar e, apesar do contracenso, ter também perfil civilista. É moderno, tem boa imagem, com algumas Comissões de Serviço no estrangeiro – ainda como militar – vários empenhamentos internos com sucesso. Não fosse um acidente, teria sido o Nosso Homem Euro 2004, como já tinha sido o Nosso Homen Expo 98. É um Diplomata. Conhece burocraticamente a Polícia. Será que conhece a Polícia real? Pode não conhecer, mas conhecerá certamente os homens que a comandam, pois foi responsável por muitos deles na então Escola Superior de Polícia. Uns corresponderam às expectativas, outros superaram-se e outros ainda, aplicaram à letra o Princípio de Peter: ser promovido até ao limite da sua incompetência. Por isso, a Polícia necessita de autoconfiança, ordem e estímulos. Uma rectaguarda. A Polícia precisa de realcançar o Espírito de Corpo que tem vindo a perder ao longo dos anos, fruto de um mau investimento em gestores civis que nada sabem – nem querem saber - nem de nós nem sobre nós. Precisamos uma Polícia que acaricíe os seus elementos tanto no activo como na aposentação, na saúde e na doença. Precisamos de uma Polícia que castigue os maus e reconheça os bons. Precisamos de uma Polícia unida, cujos trajectos e tratamentos não sejam sujeitos a um arbítrio encapotado em legalismos pouco éticos. Precisamos de uma Polícia que se reveja, se identifique e se incorpore numa Farda, num Comandante, e não num grupo de gestores com roupa da moda mas sem alma. Precisamos de uma Polícia com um sistema de saúde adequado, com salubridade no trabalho. Precisamos de uma Polícia com um sistema disciplinar e disciplinador e não um amontoado de regras em que as cáfilas se escondem. No fundo, queremos aquilo para que nos é intrínseco e nos tem sido politicamente expoliado: Integridade, Frontalidade, Exigência, Ética, Tradição, Disciplina, Honra e Unidade. O Desafio é enorme e aliciante Senhor Director Nacional.

Friday, March 21, 2008

53 / Avaliações, uma Questão de Geografia?

Todos os anos, os mesmos problemas, as mesmas [falsas] soluções, as mesmas queixas. O caso é sério e é necessário que se faça uma profunda reflexão sobre o assunto. Só assim se podem aplicar as medidas adequadas para que se acabe, de uma vez por todas, uma das maiores bandalheiras que há na PSP: as Avaliações de Serviço anuais. Para uns, a avaliação é uma questão de brio, pois não serve para mais coisa nenhuma. Para outros, que a recebem, é ver a vida a andar para trás. Para os que a dão, poderá ser uma vingançazinha pessoal. É certo, que num local como este, o que interessa é referenciar o que é errado. Como tal, os exemplos aqui apontados são referenciais e não maioritários. Mas como mexe profundamente com a vida das pessoas é necessário corrigir a forma e a avaliação. Com uma avaliação [subjectivamente] por baixo, deixa um indivíduo de ser promovido; com uma [subjectivamente] por alto, passa à frente de Escolas ou Cursos inteiros. E não nos podemos desculpar com as Comissões Paritárias. As comissões Paritárias são accionadas quando há o descontentamento individual, e está correcto. Dá um trabalho danado, normalmente dão razão ao reclamante, mas está bem. Mas quem é que avalia os avaliadores que fazem avaliações acima da média? Nas listas dos concursos vê-se que há Comandos em que determinada classe é toda classificada de Muito Bom e essa mesma classe, noutros Comandos, é classificada de Bom. Será que a geografia torna as pessoas inteligentes?

Tuesday, March 18, 2008

52 / As Listas de Caupers

É uma vergonha, a exemplo de outras que teimam em perpetuar-se na organização policial. Recentemente foram promovidos Subintendentes a Intendentes, Comissários a Subintendentes e Subcomissários a Comissários. São quadros necessários para levar a cabo a fundamental tarefa do Estado: prevenir, proteger, reprimir. Prevenir a criminalidade, proteger os cidadãos e reprimir os criminosos. Contudo a Direcção Nacional não parece pensar assim, pois não sabe o que há-de fazer aos recém promovidos. É suposto que se as pessoas são promovidas, é porque elas fazem falta em determinado lugar e a organização precisa delas. Não se percebe porque é que no dia da promoção não se lhes diz logo onde serão colocadas. Ou por outra, percebe-se: muito lobby, muita grachice, muita curvatura espinal, faz com que a Direcção Nacional se mostre não estar à altura dos acontecimentos. A prova disso é a constante alteração de vagas existentes nos Comandos. Num dia a O.S. indica um determinado número de vagas. No dia seguinte muda. Mais uns dias para escolher, mais uns dias para a agonia. E as listas Senhora DNRH? E as listas finais quando saem?

Friday, March 14, 2008

51 / Francisco de Oliveira Pereira

Le Roi est mort, vive le Roi!

Tuesday, March 11, 2008

50 / CarJacking

Antes de mais vale a pena explicar que só o termo «carjacking» é novo. Os anglófonos usam a palavra «jack» antes ou depois do substantivo para apontarem algo de negativo de que idiomaticamente se tira o sentido. No presente caso é «car - jack». A expressão final «ing» significa o facto em acção, tal como «talk» [falar] e «talking» [falando ou estar a falar]. Porquê esta entrada? para chegar à seguinte conclusão: querem mediaticamente criar um fenómeno novo. A seguir apontam a solução. A solução normalmente é a compra de qualquer coisa. E qualquer coisa que dá muito dinheiro a pouca gente. Dúvidas? Vamos a exemplos. PANDEMIA DA GRIPE DAS AVES: o governo fartou-se de comprar e encomendar vacinas que posteriormente foram as empresas farmecêuticas a dizer que tinham stock mas não tinham compradores. Pudera, a gripe não veio! APNEIA DO SONO: também recentemente houve um Congresso em Portugal. Concluiu-se que se pode morrer de apneia. Pudera! Apareceu logo uma empresa a dizer que tinha uns aparelhos que ajudavam no sono e que assim já não corriam o risco de morrer por falta de ar. A GRIPE QUE VEM COM O OUTONO: com a chegada do Outono, mais propriamente no fim do verão, começa a anunciar-se que o ano vai ser gripal. Por causa disto e por causa daquilo. As vacinas esgotam! Este ano, com o Inverno que temos tido, as vacinas ficaram em armazém. Às primeira chuvas, os Gabinetes de Comunicação e Marketing das empresas interessadas encheram os jornais a dizer que as gripes tardias é que eram más e perigosas. Resultado: já esgotaram! Poderíamos ir por aí com mais exemplos, mas não adianta. Retornando ao «carjacking» que afinal em bom português é roubo de viatura, estes alarmes/GPS só servem para algumas empresas venderem o seu produto. E já apareceram nos telejornais a divulgarem o produto com direito a reportagem alargada e tudo. Esqueceram-se foi de dizer que quem se dedica a esta actividade desmonta o aparelhinho em poucos segundos.

Saturday, March 8, 2008

49 / Dia Internacional da Mulher

ORIGEM - « No dia 8 de março de 1857, operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve ocupando a fábrica, como reinvidicação pela diminuição da carga horária diária de trabalho, de 16h para 10h. Estas operárias - que recebiam menos de um terço do salário dos homens - foram fechadas na fábrica onde iniciou-se um incêndio. Cerca de 130 mulheres morreram queimadas.[...]Na Conferência Internacional de Mulheres realizada na Dinamarca em 1910, ficou decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de março como Dia Internacional da Mulher. Esta data, porém, só foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas em 1975.» [TVJORNAL, Brasil]
A Polícia de Segurança Pública recebeu no seu seio, há já várias décadas, polícias do sexo feminino. As mulheres polícias. Terá sido a primeira revolução na organização. Foram bem vindas. Foram acarinhadas, mas também foram mal tratadas, no sentido que foram vistas como seres menores. Claro que o chapéu é enfiado a quem lhe couber. Outros pretendiam demonstrar indiferença. Se velho chavão machista que «mulher polícia para mim é homem !» fosse levado à letra, seríamos uma corporação de gays. Mas o que interessa hoje é desejar a todas elas um bom dia da mulher e que o Sr. Ministro não se lembre de as convidar para almoçar com ele, porque senão, lá se vai o sábado em família. Imaginem as bocas inocentes: «O Sr. Ministro hoje foi almoçar com as suas mulheres !» Desejar também que na Direcção Nacional da PSP - já que tem uma mulher como responsável dos recursos humanos - encarem e enfrentem em definitivo a situação da separação dos conjuges. Umas pequenas regras simples permitiriam que muitos de nós andássemos por cá muito mais contentes. Esta era a verdadeira homenagem que poderiam fazer às mulheres polícia.