Sunday, January 11, 2009

108 / Fernanda inCÂNCIOquente

«Um polícia matou um rapaz. Em horas (minutos?), a versão DO polícia passou a versão DA polícia». Pergunta-se: porque não? Deveria ser, ainda que por dias, ainda que até trânsito em julgado, que não ofenderia ninguém. O arguido goza de presunção de inocência. Fernanda Câncio, cronista da revista notícia, aos domingos, e que também escreve no DN às sextas, espanta-se que a versão de polícias ajuramentados, representantes duma polícia nacional, armados, com meios postos à disposição pelo Estado, opinem e façam valer uma versão de determinados factos. Vai mais longe quando põe em causa a forma como foi recolhida a prova. Ela não sabe, talvez porque não lhe tenham dito, e então especula em torno de factos que ela entende estarem adulterados. Para ela não há presunção de inocência. Estamos a falar, para quem ainda não percebeu, do tal rapaz que levou um tiro na cabeça, a partir de uma pistola empunhada por um polícia, por um autêntico Orgão de Polícia Criminal. A crónica de FC no DN de 9 de Janeiro de 2009, sexta feira, é quase um manifesto, não contra a Polícia, mas contra todos os polícias individuais e sem poder de defesa. Para ela, o que lhe está entalado na garganta, é um polícia, uma pessoa singular, individual, trabalhando na polícia para a sociedade, para defender os bons, poder ser considerado inocente, repete-se, ainda que possa ser só até trânsito em julgado. O Facto, arrepia-a. Para ela, a praça pública deveria ter linchado o polícia. Deveríamos ter uma Grécia aqui em Portugal. Sr.ª FC, desculpe que lhe diga: por uma vez, aqui, neste blogue vai-se dizer exactamente o que nos vai na alma: para nós, para muitos de nós, foi um mitra que levou um tiro nos cornos e se fodeu!

Saturday, January 3, 2009

107 / Uma Coisa é Uma Coisa e Outra Coisa é Outra Coisa

Correio da Manhã, 2 de Janeiro de 2009, Página 51, Discurso Directo, PAULO RODRIGUES, Pres.Ass. Sindical dos Profissionais da PSP.
"CORREIO DA MANHÃ - A PSP está em condições de reforçar o combate ao crime violento, conforme desejos expressos pelo Governo e o Procuradoria-Geral da República?
PAULO RODRIGUES - A forma como a PSP está tratar o efectivo, e as condições humanas e de equipamentos que a corporação reune, não permite pensar que estaremos em condições para reforçar o combate ao crime violento.
CORREIO DA MANHÃ - Que se impõe fazer?
PAULO RODRIGUES - É preciso reforçar os investimentos.(...)
CORREIO DA MANHÃ - Qual o papel da PSP no combate ao crime violento?
PAULO RODRIGUES - É errado pensar que a Polícia Judiciária deve ter o monopólio no combate e na investigação do crime violento. A PSP tem uma estrutura de investigação criminal montada, e que trabalha com resultados visíveis (...)".
Afinal em que é que ficamos? Quando é para bater na tutela não valemos nada e falta-nos tudo e quando é para [mal] nos compararmos [com a PJ] já somos os melhores?

Thursday, January 1, 2009

106 / O PREOCUPADOR GERAL

Ser PROCURADOR é ter que tratar com cuidado de negócios alheios, administrar, governar, fazer expiações, afastar, desviar uma coisa funesta. Em bom português é o que deve fazer qualquer indivíduo que represente juridicamente qualquer pessoa, para além dela própria. É para isso que lhe pagam. Na Lei Orgânica do Ministério Público [ ESTATUTO DO MINISTÉRIO PÚBLICO Aprovado pela Lei nº 47/86, de 15 de Outubro com as alterações introduzidas pelas Leis nºs 2/90, de 20 de Janeiro, 23/92, de 20 de Agosto, 10/94, de 5 de Maio e 60/98, de 27 de Agosto ] no seu artigo 12.º, encontram-se descritas as funções do Procurador Geral da República. De todas elas, não se viu lá escrito, por mais voltas que se desse ao texto, a função de ser o indivíduo que se encarrega de alarmar as populações. O PGR quando fala, a sua imagem serena e séria, traída pela sua pronuncia beirã, faz com que as coisas sérias que diz o não pareçam tanto. Mas quando o PGR insiste em vir falar daquilo que não deve, e começa a fazer de tarólogo, as coisas complicam-se. Vejamos: no Correio da Manhã [30.12.08] vem assim - «PROCURADOR GERAL DA REPÚBLICA ALERTA "Criminalidade vai aumentar"; o próximo ano poderá ocorrer em Portugal "uma explosão de violência"; "Sempre que que existe uma crise social, um dos factores que dispara é o desemprego, disparando imediatamente a criminalidade".» Então, Senhor Procurador!!! Não é preciso ir a Coimbra tirar um curso para se saber disso. O que nós queríamos saber, é se o o Sr. PGR vai fazer alguma coisa. Que medidas vai tomar para afastar, desviar e combater a coisa funesta? O que é que vai fazer? Entretanto se nada fizer, ao menos não se transforme no PREOCUPADOR GERAL DA REPÚBLICA.

Saturday, December 27, 2008

105 / Entre o Natal e o Ano Novo

No ano passado, por esta altura, era moda falar da Polícia. Também se falava de criminosos. Das implicações, complicações, derivações e nomeações. Um ano depois acalmou. Entretanto meteram-se os professores pelo meio, veio a crise financeira e parece que nada se passa. Mas é puro engano. As ondas, acabadinhas de bater na praia, iniciaram o seu momento de retracção em direcção ao mar; retornarão com mais força, com mais entulho, maiores e mais destrutivas. Como se preparararam as forças de segurança [PSP / GNR / PJ] para os novos desafios? A resposta é óbvia: não se prepararam. Está tudo como dantes... Por isso, cabe-nos a nós, camaradas, companheiros, amigos, POLÍCIAS, mais uma vez, independentemente do governo, do ministro ou quem quer que seja, fazer cumprir a LEI da [única] maneira que sabemos: com honestidade. É isso que os nossos concidadãos esperam de nós. Boas entradas.

Wednesday, December 17, 2008

104 / Mário O DesCOBRIDOR

Há alturas que espantam! Normalmente, quando algum figurão toma posse, aparece uma dessas alturas. Teimam em babosear-se, ornamentar-se, chicoespertar-se, etc. São uns autênticos descobridores da pólvora. Ao Sr. novo Inspector Geral da Administração Interna [IGAI], que desde já recusamos a desejar umas boas vindas, não pelo lugar e funções, mas pela pessoa em si que nos gera um grande sentimento de insegurança e parcialidade.[ E porquê? Porque ele próprio tem aparecido em momentos processuais pouco claros e menos esclarecidos. ] Na tomada de posse - mais uma vez - o discurso de quem acha que, quem cá anda há décadas, não tem andado a fazer nada e, com a chegada do iluminado, tudo vai mudar: «É preciso arranjar maneiras, métodos, sistemas e meios para combater esse sentimento [de insegurança das populações]». Parece que não ofende mas ofende. O que é que nós temos cá andado a fazer? Quanto às maneiras, Sr. IGAI, podemos começar por dar algumas sugestões: Sempre que apontar um defeito numa Esquadra Policial ou Posto da GNR, faça-se acompanhar dum cheque, de preferência chorudo, para de imediato se proceder às alterações propostas e erros apontados. Liberte os motoristas, telefonistas e recadistas que tem, porque são polícias; libertem-se os motoristas dos governos civis que são polícias; que se notifiquem os tribunais para que sejam eles a fazer as notificações e que para o efeito têm que dotar os seus quadros. Sr. IGAI, para terminar, informa-se que a sua tarefa deve ir para além das polícias e de processos a polícias. A Administração Interna é enorme. Investigue o SIRESP, as ambulâncias, as compras para o combate aos incêndios e quem as fez. Sr. IGAI: Trabalhe e deixe que as polícias combatam a insegurança e o seu sentimento, pois não é com burocratas que se combate o dito cujo.

Tuesday, December 9, 2008

103 / Oh! É Lá Fora!

Mumbai, Lá Fora n.º 1 - Na India, o aviso terrorista não podia ter sido mais claro: os valores dos fundamentalistas islâmicos estão plasmados nos resultados. Também na audácia da execução. Por parte da autoridade do estado, a impotência da contenção. O exercício só acabou com a morte dos terroristas. O exército da maior democracia do mundo, também participou.

Atenas, Lá Fora n.º 2 - Na Grécia, o aviso terrorista vem encapotado. Resumidamente um polícia matou um jovem de 15 anos. Os jovens descontentes protestaram, manifestando-se. O governo tomou as medidas que tinha de tomar: suspendeu os elementos suspeitos dos disparos e (supunha-se) o caso seria resolvido no tribunal. A oposição [essa sim assassina porque aproveita as circunstâncias] fomenta as manifestações contra o governo para ver se este cai. Assim vai o povo na democracia mais antiga do mundo.

Wednesday, December 3, 2008

102 / Os Comentários

Assumir que se quer ter um blogue é assunto fácil nos dias que correm. Antes de se ter feito a primeira publicação, em 19 de Janeiro de 2007, pensou-se no modelo e assumiu-se o que se pretendia dele. Pensamos que estamos no caminho certo. Para quem não vive desta publicação, até que o resultado não é mau: uma certa actualidade, textos cuidados (embora nalguns casos com erros apesar de se tentar evitá-los) e uma foto/imagem que nem sempre parece ter a ver directamente com o texto. Mas a mensagem está lá. Este blogue pode ser um local de reflexão. Pode sim senhor. Este blogue é feito com cuidado, gosto, empenho e tenta falar de assuntos vários não seguindo uma agenda específica. É um local que não vive de publicidade, é obvio, pois não a vislumbram, mas dá-se muito bem com a publicidade que lhe fazem. Porquê esta conversa? Simples. Este blogue vive com comentadores ou sem eles. Já aqui várias vezes se pediu que os comentários tivessem alguma qualidade de conteúdo, que quem os lesse os percebesse e que estivesse minimamente ligado com a mensagem. Não é o que acontece muitas das vezes. Agradece-se a persistência dos comentadores que não se deixam enrolar na conversa baixa de outros. Queríamos manter o blogue com os comentários abertos e livres. Gostaríamos de continuar assim, pois tecnicamente poder-se-ia impedir a entrada dos comentários menos próprios e até ininteligíveis. Concluindo: todos podem e devem colaborar. Para quê o comentário impróprio se ninguém o entende?

Friday, November 21, 2008

101 / Salamaleque*

O nosso contacto com Mário Contumélias foi através do CENJOR [ Centro Protocolar de Formação para Josrnalistas ] local por onde também passou como formador o outro autor do livro. Mário Contumélias, ao longo de alguns anos foi ouvindo e escutando muito de muitos. Ouviu e escutou, tanto de Oficiais da PSP como da GNR
Deu formação a elementos que agora se encontram em lugares de destaque na vida policial portuguesa. Desde o actual n.º 2 do SISI, passando pelo 2.º Comandante do Comando Metropolitano do Porto, pelo representante da PSP em Bruxelas, pelo Chefe do Departamento de Operações e Segurança da Direcção Nacional, pelo Comandante da Escola Prática da Polícia, pelo responsável regional do Norte do SIS, etc., etc., etc. De Norte a Sul, dos Açores à Madeira, deu formação a inúmeros Oficiais de polícia, tanto do Instituto como oriundos da carreira de base. Ouviu muito de muitos. Também contou muitas histórias, muitas cumplicidades entre jornalistas, governantes e marcas de produtos. Contou como se lança um Presidente, como nasceu e aparece, a cada manhã, um jornal diário. Contou também como se fazem algumas manchetes de jornais e como se vendem determinados medicamentos, como por exemplo, os comprimidos para a gripe. Contou para que servem os Gabinetes de Comunicação. Também confidenciou como os jornalistas estagiários são explorados pelos jornalistas/directores/patrões da imprensa, sem direito a ordenado e, muitas das vezes, sem poderem aceder à cantina do jornal onde fazem o estágio. Tudo isto perante a passividade de jornalistas como ele. Contou muitas coisas. E foram muitos a ouvir.

Se este livro pretendia ser um retrato da polícia, falhou redondamente. Não se duvída de que os testemunhos ali registados sejam verdade e aconteceu [e acontece] algures a alguém. Infelizmente vai acontecendo. Temo-lo registado aqui várias vezes. Mas a polícia é muito mais do que ali se encontra registado. Além disso é vergonhosa a colagem a um sindicato e o critério [compreensível] de manter o anonimato para uns e a inversão [incompreensível] desse mesmo critério para outros. Também é vergonhoso levantar suspeitas e depois nada escreverem alegando que precisavam de investigação jornalística. Os autores sabem e podem fazer melhor. E eles sabem disso. Também foi decepcionante [mas já não supreende face ao trabalho apresentado] ver os autores num programa de televisão de qualidade duvidosa.

Uma pergunta: Conhecendo os seus autores, a pergunta que se põe é a seguinte: -que medicamento é que estarão a preparar-se para vender?

Uma segunda pergunta: que faz ali o Ministro Rui Pereira?

Concluindo: o livro em questão, é uma peça mal trabalhada dos autores. Poderiam e deveriam ter ido mais longe. O que fizeram, foi entrevistar alguns polícias e fazer uma ligação mais ou menos lógica do texto. Qualquer pessoa que saiba português o consegue fazer. Nem precisa de formação para o efeito. O livro que está por detrás dos nomes não vale o dinheiro gasto na compra. Este livro, sem os nomes dos autores, vendia o número de exemplares correspondentes aos convidados no dia do lançamento, nada mais.

* {do Lat. contumelia - s. f., afronta; injúria; insulto; - fam., mesura; salamaleque; vénia.}

Monday, November 17, 2008

100 / Inominados

De repente, parece que Portugal, descobriu que alguns indivíduos se serviam do futebol para negócios escuros. Chamem-lhe os nomes que lhe quiserem chamar, eles não se importam, pois faz tudo parte de uma cultura não só tribal como criminal. E acreditem numa coisa: não há clube ou SAD inocente no meio desta porcaria. Esses grupos organizados envolvem-se com a sociedade da lei e das regras, e usam-nas para se defenderem. Vivem, organizam-se e proliferam em torno da violência e ilegalidade. Durante anos tem sido assim. Por causa destes abstrusos, que os clubes/SAD alimentam, directa ou indirectamente, abertamente ou por baixo dos panos, voluntária ou forçadamente, que se têm passado das cenas mais violentas da nossa inocente sociedade civil, esta sim, a verdadeira prejudicada pela existência desses bandos organizados. Às pessoas, ao cidadão vulgar, não lhe passa pela cabeça o que estes indivíduos são capazes. Eles têm vindo num crescendo abusador; uma impunidade sem precedentes: ameaçam, traficam, agridem, insultam, cospem... e as Forças de Segurança ainda lhe têm que dar protecção!!! Muitos dos serviços (ditos) remunerados, para não dizer quase a sua totalidade, que as forças de segurança fazem aos estádios, são obrigatórios e executados nas horas de descanso dos elementos policiais. Os mesmos elementos policiais que depois vão entrar de serviço já completamente estafados. Para não falar ainda que todas as despesas dos meios materiais que são postos ao dispor destes serviços, se repercutem negativamente nos orçamentos das forças de segurança: os clubes/SAD limitam-se a "pagar"(!) uma mixordice por indivíduo e não é a todos [ver mensagem 47 / ... e Mal Pagos]. Estes criminosos têm que ser banidos enquanto grupo, e detidos, julgados e condenados enquanto indivíduos. Para que os verdadeiros adeptos possam retornar aos campos de futebol.
Por curiosidade, ver também as mensagens [46 / Espanto - 2 de Março de 2008] e [72 / Disfuncional - 20 de Maio de 2008]

Wednesday, November 12, 2008

99 / Desistir

De tempos a tempos somos confrontados com a triste realidade dos suicídios que vão acontecendo, tanto na PSP como na GNR. Normalmente aborda-se o facto, o suicídio, como um número, ou seja, com infomações do género: «GNR matou-se ontem e subiu para 14 os casos de 2008»[Subtítulo da manchete do Diário de Notícias de 12 de Novembro]. Depois compara-se com os elementos da PSP que se suicidaram no mesmo período. É triste, mas é assim que as coisas são apresentadas: por números. A reportagem do Diário de Notícias, que até ocupa um lugar nobre do jornal (centrais e mais uma página) não diz nada de novo: apresenta casos reais, graves, mas comuns a várias profissões e dá voz a vários doentes e entre eles, um com 50 [cinquenta !!!] processos disciplinares: «Há cerca de 50 processos internos contra mim». Por seu turno a GNR diz que vai fazer autópsias psicológicas* .Vamos aqui propôr que nos deixemos de brincadeiras, pois a realidade já não se compadece com mais estudos. Já todos sabemos o que está mal, logo pergunta-se: porque teimam os nossos dirigentes em agir?
[Sobre este assunto, veja-se a mensagem 90 / Real]
{ [*A autópsia psicológica é um procedimento utilizado em casos onde há dúvidas sobre as circuntâncias de uma morte, fazendo-se [se] necessário uma reconstrução do perfil psicológico da vítima e seu estado mental antes do fato juridicamente questionado] in "sanidadeinsana.blogspot.com"[O objetivo é firmar sintomas que sejam determinantes de suicídio, com os quais um número satisfatório de analistas concordem, para que se possa a partir daí avaliar pessoas que corram o risco de se matar e prevenir o problema] in "www.prometeu.com.br"}

Thursday, November 6, 2008

98 / Qui Varrant, Pauci; Est Multus, Qui Sordidet Aedes*

Quando o Director Nacional da PSP tomou posse, publicámos o nosso mais eloquente post: «Le Roi est Mort, Vive le Roi» [ver mensagem 51 / Francisco de Oliveira Pereira, 14 de Março]. Ficámos contentes porque tinhamos muita esperança, muitas expectativas. Demoradamente, muito lentamente, foi formando a sua equipa. Tinha-se iniciado um complicado processo de reestruturação da PSP. As pessoas que nomeou, colocou e fez deslocar, iriam cumprir esse propósito. É certo que há imperativos [legais] que tornam determinadas tarefas demoradas. No entanto, há outras situações que não se compreende como é que se chega a elas. Poderíamos citar muitas, mas só vamos abordar uma: Tendo a PSP recebido áreas novas sem reforço de efectivo, numa altura em que se aguardam inúmeros diplomas que virão - espera-se - mudar a face da PSP, o Chefe do Departamento de Recursos Humanos (intendente Maurício) vai-se embora para Cabo Verde? E o Director Nacional Adjunto permite? ( ou deseja que assim seja?) E quem o vai substituir, não deixará um Comando a meio de uma reestruturação pensada por ele?
*Mais há quem suje a casa que quem a varra

Sunday, November 2, 2008

97 / Brigada do Reumático - Service Pack 2

LS vem avisar que as Forças Armadas estão decontentes porque têm perdido regalias. Não são só as FA que têm perdido regalias, diremos nós.
VL vem lembrar que os militares têm armas e que as armas nas mãos de pessoas mais novas podem levar a resultados imprevisíveis. Vivemos numa democracia resultante de uma intervenção dessas, diremos nós.
O Presidente da AOFA relembra que o Ministério da Defesa não percebe da realidade e que deixou de ouvir as associações. Onde é que este senhor tem andado? Perguntamos nós.
LS, passadas vinte e quatro horas depois do primeiro aviso, vem dizer que o Governo está a pensar no caso e que em breve dará sinais. Governo contrata novo porta-voz? Perguntamos.
Num país como o nosso, poder-se-á dizer que foi mais uma manifestaçãio de descontentamento, como aliás têm acontecido muitas. Os polícias já se fartaram de jantar à custa de mostrar a(s) sua(s) indignação(ões); os professores não têm jantado tanto, mas manifestado mais, os enfermeiros, idem. O que há de novo, é haver generais a lembrar que os militares têm armas. Ok! Eles têm armas, pronto. As Forças de Segurança também. Se eles tiverem qualquer coisita, as FS também vão querer. Que as Forças de Segurança, em geral, são naturalmente solidárias com os militares, disso niguém duvide. Mais do que uma profissão, têm uma missão. Agora, usar da chantagem e da ameaça para fazer passar a mensagem,,, mais vale, em vez de se reunirem para jantar, se juntem e invadam a Assembleia da República como fez há anos um desatinado general espanhol. E esperem pelo resultado.

Tuesday, October 28, 2008

96 / Estava à Toa na Vida e o Meu Amor Me Chamou

A situação não é nova. Ainda no último post se falava disso. Há uma crescente disponibilidade para os nomeados tenderem a dar nas vistas, sobretudo pelos piores motivos. Mário Mendes, Secretário-Geral do Sistema de Segurança Interna, se o pensou, não devia ter dito. Dizendo-o, deveria ter pensado nas consequências. Agora, vir dizer, que estava na praia, que havia sol a mais na altura que aceitou o cargo… A ligeireza com que se fazem certas afirmações, deveriam desde a primeira hora ser escrutinadas: «Ai estava na praia? Estava ao sol? Então volte para lá! Está demitido!» Era assim que avançávamos. Era assim que evoluíamos. Mas não. Fica tudo na mesma. Mas, não contente, põe em marcha as suas intenções: uma polícia unificada! Bem, não é bem unificada, é só uma tutela única. Pura fantasia!!! Depois, há zonas da cidade de Lisboa que evita. Mais uma vez se o pensou, não o deveria ter dito. Se o fez poderia ter ficado calado. Um ponto positivo nas suas afirmações: «A Polícia perdeu a rua». É verdade. Mas porque alguém, há muito tempo atrás, perdeu o juízo.
(E, se alguma vez este país foi alguma coisa, foi de velhos e certamente não é para velhos.)

Tuesday, October 21, 2008

95 / É do ...

Alípio Fernando Tibúrcio Ribeiro tomou posse como Inspector do Ministério Público. A propósito da sua saída da Polícia Judiciária, transcrevemos aqui o nosso post 67/ Tibúrcio, de Maio deste ano: "Este senhor, que era Procurador Geral no Porto antes de se tornar Director Nacional da Polícia Judiciária, teve todas as oportunidades de se demitir. Este senhor deu todas as oportunidades ao Governo para o demitir. Mas nunca aconteceu. No caso McCann, para além de o ter praticamente deitado abaixo, e com ele o nome e o prestígio da PJ, ficou danado com umas observações -correctíssimas- dum Inspector e demitiu-o. Nas noites do Porto, ao ser nomeada uma equipa especial, deveria ter-se demitido. Não o fez. Ele andava à procura. Finalmente encontrou: após a aprovação da nova lei orgânica da PJ, em que o mesmo obviamente participou, o primeiro comentário que faz à mesma é dizer que a PJ afinal deveria mudar de Ministério. Já dizia o outro: «calado és um poeta!»" E agora vai inspeccionar, entre outras, a Direcção de quem foi director? Onde chegou a pouca vergonha, falta de ética, verticalidade, bom senso, siso, oportunidade.... Tsst!, Tsst!, Tsst. Assim não vamos lá.

Tuesday, October 14, 2008

94 / Então?!...

O Comando Distrital de Viana do Castelo da PSP instaurou processos disciplinares a 18 agentes daquele Comando, por estes não terem permanecido num local para que foram convocados. Se os processos foram instaurados é porque há a forte convicção que 18 (dezoito) agentes não cumpriram com o seus deveres. Ou, quem fez a análise da situação, não estará no seu juízo perfeito. Seja como for, este caso não pode ficar por aqui. Há que haver consequências. Tanto faz que seja para um lado ou para o outro, ou para ambos. Tem que haver consequências. Relembra-se aqui, que há dias, no Algarve, foi dado um outro sinal de idêntica intensidade e até agora... nada. É caso para perguntar ao Sr. Director Nacional da PSP: Então?!...
NOTA FINAL: O Sr. Comandante de Viana do Castelo que dá tantas entrevistas a Jornais e Televisões, desta vez diz que não presta declarações.

Sunday, October 12, 2008

93 / Juízes de Fora - Parte II

Em Dezembro de 2007, fizemos um apontamento a propósito do Sr.Procurador-Geral da República (PGR), Pinto Monteiro, ter nomeado a Procuradora Maria Helena Fazenda, de Lisboa, para dirigir e coordenar a investigação de todos os inquéritos relacionados com os crimes da noite portuense [ver Mensagem 21 / Juízes de Fora]. Tem trabalhado em silêncio e, parece-nos, produzindo efectivamente trabalho de qualidade. O seu silêncio e low profile vale mais do que ouro. Tal como dizem os ingleses: «No news is good news». Por maioria de razão... quando há notícias, é porque estas são más. O computador portátil foi-lhe roubado. O seu hard disk tinha que ter informação do valor do peso do seu silêncio. Não adianta vir dizer que lá não havia nada de importante, pois ninguém quer ter a imagem da senhora, a levar um portátil consigo, só para consultar sites [eventualmente duvidosos] na net ou para praticar uns joguinhos com o CR7. Obviamente que o seu portátil estava cheio de coisas importantes. Quanto mais depressa admitir melhor. Já agora, a talhe de foice, pergunta-se: será que os Magistrados conhecem a legislação SEGNAC no que diz respeito a matérias classificadas? É que o Ministro da Defesa Paulo Portas, desconhecia [ver Mensagem de Novembro de 2007, 14 / Perigosa Rapina.]

Thursday, October 9, 2008

92 / Secreta[rio]

Tomou posse o novo Secretário-Geral do Sistema de Segurança Interna, vulgarmente conhecido por SISI. Na sua posse, Mário Mendes garantiu que não vai interferir com as competências atribuídas aos responsáveis pelas forças e serviços de segurança. Afirmou que «nunca (...) confundirá minimamente com as competências que são atribuídas [às polícias e forças de segurança], respeitando as competências próprias e a organização hierárquica (...)» Na altura, MM, Juiz Conselheiro, pediu a colaboração do Comandante-Geral da GNR, do DN/PSP, do DN/PJ e do Director do SEF.: «Peço-vos a vossa inteira colaboração, estando certo que ela será dada sem reservas, porque conheço há muito tempo a vossa maneira de estar e de agir», disse. MM fez notar ainda que, no exercício das suas funções, não haveria qualquer interferência ou invasão com o Ministério Público. Policíadas deseja um bom trabalho e um... seja bem vindo a este lado da barricada.

Wednesday, October 8, 2008

91 / Cada Um no Seu Lugar

Cada macaco no seu galho. Homem é Homem e bicho é bicho. Gordo é gordo e magro é magro. Noite é noite e dia é dia, embora Dia possa ser noite e dia. Um Polícia é um Polícia e um Magistrado é um Magistrado. Afinidades, amizades, cumplicidades e outras idades são coisas que não se misturam. Tal como Polícias e Jornalistas. Não há acordos tácitos, nem conhecimentos antigos. Não há vozes off, nem combinações para amanhã. Não há condescendências nem compreensões. Não há reuniões privadas de nivel 1 e reuniões de nível 2. Não há bons nem maus, tanto Magistrados como Polícias. Só há profissionalismo, seguir as regras e no fim, se sobrar tempo, poderemos ir beber uns copos. Mas cada um paga a sua.

Tuesday, September 30, 2008

90 / Real

Dois polícias, um homem e uma mulher, abateram, a tiro, os seus companheiros. Os motivos, dizem, foram de ordem passional. Vão desculpar todos, mas aqui, o desacordo não pode ser maior. Condenem-se os actos, horriveis, hediondos, mas não se desprezem as causas. O desequilibrio emocional que levou ao cometimento do crime, até poderá ser passional. Mas as causas remotas estão já há muito definidas por todos: instabilidade laboral, insalubridade laboral, falta de protecção hierárquica, afastamento do núcleo familiar, maus vencimentos, nulas recompensas, carga horária excessiva [não esquecer que para além das horas normais diárias ainda há as idas a tribunal, ainda que em folga, os serviços remunerados compulsórios...], falta de perspectiva nas carreiras [quer vertical quer horizontal], exigências especias para se ser polícia mas a inexistência de qualquer regalia para essas exigências, sobreexposição mediática, dupla tramitação processual disciplinar, etc., etc., etc. e, least but not the last, o alheamento e incapacidade de reconhecer e/ou resolver/encaminhar dos problemas dos subordinados, por parte das chefias directas. Enfim, este é o post que gostaríamos de nunca ter escrito. Nem estamos a branquear os actos, que desde já se condenam. Mas, mais uma vez dizemos: há muito que estávamos à espera que algo do género acontecesse. Foi pena que tivesse acontecido, mas que ninguém se mostre surpeendido.

Thursday, September 25, 2008

89 / Insígnias

Se consultarmos dicionários e enciclopédias portugueses de qualidade, verificamos que a seguir a INSÍGNIA segue-se a definição para INSIGNIFICANTE. Mas isto é uma mera curiosidade. Também não deixa de ser curioso percebermos como é que 80 (oitenta) homens íntegros se deixaram enrolar num sofisma sindical. Por outro lado, já não espanta o esforço sindical em demonstrar, com o maior alarde possível, o quão inúteis eles têm sido nos últimos tempos. O caso das insígnias é por demais evidente: os 80 (oitenta) homens íntegros que se deixaram enrolar num sofisma sindical, retiraram insígnias de especialidade militar que obtiveram, salvo uma ou outra excepção, precisamente quando eram militares. Antes de serem polícias. Insígnias de especialidade que, eventual e certamente, lhes abriram ou facilitaram portas para estarem numa unidade especial. Insígnias de especialidade que não fazem sentido numa polícia que se diz civil. Menos sentido faz, um sindicato, promover e alardear uma revolta, usando aqueles simbolos [militares] como exemplo. Deveria era estar contente e feliz por eles serem retirados, pois são eles [sindicatos] que constantemente estão a dizer que a polícia não tem que participar em actividade militares porque é civil. Quando é que esta gente percebe que não é este o caminho?

Tuesday, September 16, 2008

88 / Dois Momentos

MOMENTO AGRI-DOCE - Comprovada a falência da RNPSP [Rede Nacional da PSP] pelos motivos há muito expectáveis: da rejição inicial devido à sua introdução à pressão, seguido da sua lentidão, e, adivinhando-se desde 2006, a génese de uma nova rede de partilha de dados, com o consequente desinvestimento naquela rede. É obvio que a chegada da RNSI se aplaude. É pena que se tenha perdido tanto tempo, esforço e dinheiro e pouco se tenha apre[e]ndido, pois que agora se repete o mesmo erro: introdução à pressão, sem explicações sustentadas e, sobretudo isso, a inoperacionalidade do sistema durante a migração de dados, durante vários dias, de diversos departamentos policiais, levando a autênticos ataques de nervos a quem quisesse elaborar expediente ou enviar um simples e-mail. Mas uma vez normalizada a situação não há dúvida que é uma beleza: rápida e castradora.
MOMENTO DE APERTO - Não podemos anunciar que tudo corre mal. Também não podemos fingir que tudo corre bem. E há momentos em que temos que decidir. E a Direção Nacional da PSP tem que decidir. E a decisão tem que ser rápida sob pena de os efeitos da falta dela degenerarem em momentos embaraçadores. Tanto para quem toma a decisão como para quem fica com os efeitos dela. Há muitas coisas no ar que estão a demorar a sair; coisas importantes que há meses esperam uma decisão e, quanto mais se espera... mais se desespera. Talvez seja um mal Nacional anunciar muito antes do tempo a execução de qualquer coisa. E depois dá nisto. De que falamos? Explica-se: a) Estatutos diversos; b) Regulamentação do dispositivo; c) Nova dotação dos Comandos após a sua reestruturação; d) É preciso mais?

Wednesday, September 10, 2008

87 / Portugal - Dinamarca

Desiludam-se todos aqueles que pensam que aqui se vai falar de futebol. O futebol é só o pretexto para se traçar o paralelismo pretendido. Ou seja:
1) temos um dos melhores treinadores do mundo;
2) dos melhores jogadores do mundo, incluindo as nacionalizações;
3) dos melhores lesionados do mundo;
4) das melhores instalações dos mundo; das melhores gargantas [leia-se jornalistas] do mundo;
5) poderíamos ir por aí no que de melhor do mundo temos. Temos o mundo a nossos pés. Pensamos em grande, falamos em grande, publicitamos em grande, enfim, orgulhamo-nos em grande. Mas isso é antes. O durante e o depois é que é o caraças. Nas Forças de Segurança é igual:
1) temos um dos melhores ministros da administração interna do mundo;
2) das melhores polícias especiais do mundo;
3) dos melhores polícias de gabinete do mundo;
4) das melhores apresentações publicitárias do mundo, incluindo buscas domicialiárias com jornalistas, tiro ao alvo para o mundo ver o que melhor há no mundo
5) poderíamos ir por aí no melhor do mundo que temos, incluíndo helicópeteros, glocks, sniper´s, equipas especiais contra criminosos especiais. Mas a porra é que os crimes acontecem fora dos holofotes. Os crimes são situações pré-mediáticas: não se fazem anunciar. O povo é que sofre com as situações pré-mediáticas, pois os agentes criminosos são, como assim dizer, provocados mediaticamente. Resumindo: jogamos muito melhor, mas os outros é que marcam os golos.

Tuesday, September 9, 2008

86 / Brincar Com o Fogo (2)

A 28 de Maio publicámos aqui uma pequena e importante nota sobre a forma como a Polícia, os Polícias e os Assuntos Policiais eram abordados [ver Mensagem 73/ Brincar Com o Fogo]. Na altura salientou-se a idéia, que foi repetida em outras mensagens, que não era bom falar assim tanto destes assuntos pois não concorreriam para o efeito desejado, antes pelo contrário, que era, e é, acima de tudo, baixar com o sentimento subjectivo de insegurança. Acabava a mensagem com a seguinte frase: "Agora, duma vez por todas, deixem de brincar com o fogo, pois um dia destes queimamo-nos todos. Com aquele fogo que arde sem se ver, sem ser propriamente… amor." Mudando se assunto. Há uns meses atrás, não muitos, um indivíduo foi agredido dentro de uma Esquadra. Decidiu o Ministro [esta mania dos Ministros acharem que fazem melhor que os polícias...] que as Esquadras tinham que ter, no mínimo, dois agentes em serviço, nem que se anulassem patrulhas na rua, verdadeira razão de se ser Polícia. Mas enfim, a medida foi tomada e eventualmente aplicada. Agora, um indivíduo deu um tiro noutro dentro duma Esquadra Policial. Qual vai ser a medida do Ministro? Fazer aplicar a lei que se aplica aos estabelecimentos de restauração e bebidas, contratatando empresas de segurança privada para se fazerem revistas às pessoas à entrada das instalações policiais?

Saturday, September 6, 2008

85 / De Volta

Um arreliador contratempo na gestão do blogue manteve-nos afastados durante a maior parte do Verão. Durante este período aconteceram coisas muito graves; mas nada que não tivessemos anteriormente previsto. Quando se 'perde tempo' a analisar determinados factos, comportamentos e timings, só se estiver muito distraído é que não se consegue lá chegar. Portanto, estivemos afastados, mas mesmo que tivessemos estado activos, pouco mais haveria que dizer, sendo certo que o faríamos e duma forma ponderada, responsável e objectiva. Antes de voltarmos à carga - em definbitivo - era bom que lessem alguns posts atrasados. A todos os leitores e comentadores que se mantiveram a visitar estas Policíadas e nada encontravam de novo... as nossas desculpas.

Monday, July 28, 2008

84 / Sr. Comandante das Forças de Ocupação

O homenzinho da Madeira [de sua graça, João] desta vez ultrapassou todos os limites: as forças policiais, para além de outras, são forças de ocupação colonial. Se não fosse tão sério dava para rir. Aliás, dá para rir de qualquer maneira. Mas o assunto é sério. Não o facto do Intendente Lucas ser o Comandante da Polícia de Ocupação, que ele certamente, com o seu bom carácter, irá olhar para o assunto como quem olha para um pinsher, mas sim o facto de, já que os politicos nunca dizem nada, ao menos que a polícia de demarque. É fundamental que o faça, e que o faça já, pois o bicho ontem atacou a legitimidade da Guarda Fiscal, amanhã atacará outras legitimidades entre as quais a PSP. É que pode-se andar a brincar às autonomias, aos politicos, aos negócios dos crescidos, às lavandarias e até jogar à roleta; agora, meter a PSP no mesmo saco, faz pensar que é resultado de uma estratégia, já assumida, de provocação crescente, que tem que ser de imediato condenada. Ao Intendente Lucas, uma boa sorte nessa provincia ultramarina das bananas, são os votos policiais.