Friday, March 14, 2008

51 / Francisco de Oliveira Pereira

Le Roi est mort, vive le Roi!

Tuesday, March 11, 2008

50 / CarJacking

Antes de mais vale a pena explicar que só o termo «carjacking» é novo. Os anglófonos usam a palavra «jack» antes ou depois do substantivo para apontarem algo de negativo de que idiomaticamente se tira o sentido. No presente caso é «car - jack». A expressão final «ing» significa o facto em acção, tal como «talk» [falar] e «talking» [falando ou estar a falar]. Porquê esta entrada? para chegar à seguinte conclusão: querem mediaticamente criar um fenómeno novo. A seguir apontam a solução. A solução normalmente é a compra de qualquer coisa. E qualquer coisa que dá muito dinheiro a pouca gente. Dúvidas? Vamos a exemplos. PANDEMIA DA GRIPE DAS AVES: o governo fartou-se de comprar e encomendar vacinas que posteriormente foram as empresas farmecêuticas a dizer que tinham stock mas não tinham compradores. Pudera, a gripe não veio! APNEIA DO SONO: também recentemente houve um Congresso em Portugal. Concluiu-se que se pode morrer de apneia. Pudera! Apareceu logo uma empresa a dizer que tinha uns aparelhos que ajudavam no sono e que assim já não corriam o risco de morrer por falta de ar. A GRIPE QUE VEM COM O OUTONO: com a chegada do Outono, mais propriamente no fim do verão, começa a anunciar-se que o ano vai ser gripal. Por causa disto e por causa daquilo. As vacinas esgotam! Este ano, com o Inverno que temos tido, as vacinas ficaram em armazém. Às primeira chuvas, os Gabinetes de Comunicação e Marketing das empresas interessadas encheram os jornais a dizer que as gripes tardias é que eram más e perigosas. Resultado: já esgotaram! Poderíamos ir por aí com mais exemplos, mas não adianta. Retornando ao «carjacking» que afinal em bom português é roubo de viatura, estes alarmes/GPS só servem para algumas empresas venderem o seu produto. E já apareceram nos telejornais a divulgarem o produto com direito a reportagem alargada e tudo. Esqueceram-se foi de dizer que quem se dedica a esta actividade desmonta o aparelhinho em poucos segundos.

Saturday, March 8, 2008

49 / Dia Internacional da Mulher

ORIGEM - « No dia 8 de março de 1857, operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve ocupando a fábrica, como reinvidicação pela diminuição da carga horária diária de trabalho, de 16h para 10h. Estas operárias - que recebiam menos de um terço do salário dos homens - foram fechadas na fábrica onde iniciou-se um incêndio. Cerca de 130 mulheres morreram queimadas.[...]Na Conferência Internacional de Mulheres realizada na Dinamarca em 1910, ficou decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de março como Dia Internacional da Mulher. Esta data, porém, só foi reconhecida pela Organização das Nações Unidas em 1975 [TVJORNAL, Brasil]
A Polícia de Segurança Pública recebeu no seu seio, há já várias décadas, polícias do sexo feminino. As mulheres polícias. Terá sido a primeira revolução na organização. Foram bem vindas. Foram acarinhadas, mas também foram mal tratadas, no sentido que foram vistas como seres menores. Claro que o chapéu é enfiado a quem lhe couber. Outros pretendiam demonstrar indiferença. Se velho chavão machista que «mulher polícia para mim é homem fosse levado à letra, seríamos uma corporação de gays. Mas o que interessa hoje é desejar a todas elas um bom dia da mulher e que o Sr. Ministro não se lembre de as convidar para almoçar com ele, porque senão, lá se vai o sábado em família. Imaginem as bocas inocentes: «O Sr. Ministro hoje foi almoçar com as suas mulheres !» Desejar também que na Direcção Nacional da PSP - já que tem uma mulher como responsável dos recursos humanos - encarem e enfrentem em definitivo a situação da separação dos conjuges. Umas pequenas regras simples permitiriam que muitos de nós andássemos por cá muito mais contentes. Esta era a verdadeira homenagem que poderiam fazer às mulheres polícia.

Friday, March 7, 2008

48 / Já Chega!

MANIFESTANTES VERSUS POLICIA - Antes de mais nada, e para que fique tudo de uma vez esclarecido, informa-se, em definitivo: PRIMEIRO, sempre que há uma manifestação que possa envolver uma grande movimentações tanto de pessoas como de meios de transporte, a PSP preocupa-se. Não só porque há imposição legal. Preocupa-se porque há muitas questões importantes a resolver. Não só a pensar nos manifestantes, mas na restante população que ao ver cortes de rua se sente incomodada e descarrega sobre nós. A PSP tem que planear e só pode planear se souber com o que pode contar. SEGUNDO, a Direcção Nacional da PSP quer saber desses dados como qualquer director de empresa quer saber o que se passa com os assuntos que lhe dizem respeito. É legítimo. TERCEIRO, é estúpido ir a cada um dos locais de onde a manifestação se organiza e fazer perguntas. Os organizadores têm que fornecer essa indicação. Se não fornecerem sofrem penalizações várias. Se a PSP, isto é, nós, quisermos obter informações suplementares, teremos que usar outros meios, nomeadamente ir às centrais de camionagem. QUARTO, a PSP não quer intimidar ninguém. QUINTO e último: não gostamos de ser usados como arma de arrremesso. [Veja-se as mensagens 10 / Leituras, de 13OUT07, 30 / Escola Segura, de 6JAN08 e 43 / Direito à Asneira, de 29FEV08].

Monday, March 3, 2008

47 / ... e Mal Pagos

Não é a primeira vez que se aflora o assunto dos serviços remunerados a forma como se tem deixado de fazer uns e continuando a fazer outros (ver mensagens 18 / Os Guarda Costas e 35 / Vídeo Vigilância). Todos sabemos que os ordenados, os nossos vencimentos, não são grande coisa. [Está bem, alguns mal o merecem e outros até teriam que passar anos a repôr o que receberam indevidamente]. Em todo o caso, já que temos que os fazer, é bom que olhemos para os nossos parceiros de viagem. Não se refere aqui quando um elemento vai para a porta de um Banco ou similar. Fala-se aqui daqueles remunerados que mesmo que não se queira ir... teremos que o fazer. Afinal assumimos um compromisso. Só que não se percebe que o nosso compromisso tenha que ser pago... abaixo de cão. Saiu a Tabela de Serviços Remunerados para 2008. Para além de manterem o erro em que os Oficiais são pagos pela mesma medida, ao contrário das outras categorias, os preços que nós [polícia] valemos é que espanta: Na Tabela A, um agente ganha por hora, desde €4,64, para o período diurno e €6,96 para o período nocturno. Para os Oficiais os preços são €7,93 e €11,88. Na Tabela B, as correpondências passam a ser de €6,96 e €10,45 para os Agentes e €8,91 e €13,37 para os Oficiais. Pegando agora na Tabela dos Árbitros vemos o seguinte: Árbitro da 1ª Liga €1000/por jogo [€500 para os Assistentes e €250 para o 4.º Árbitro]. Têm ainda assegurado, com motorista, transporte desde a porta de casa até ao estádio; alojamento e refeição se a distância assim o justificar; preparador físico; melhores relvados para treinar; ginásios para trabalhos suplementares, equipamento e chuteiras, €21,00 de subsídio de refeição e ainda €300/mês para subsídio de treino. Com estes preços, não admira que eles queiram a PSP e GNR a fazer policiamentos. Ainda se lembram de um dos slogans do Euro 2004? «Be part of the game!». Era preciso fazer parte do jogo. Só que as Forças de Segurança foram cilindradas com autênticos fora de jogo mal assinalados. Só perdemos. E assim continuamos. Mas isto vai acabar. Ai vai, vai!

Sunday, March 2, 2008

46 / Espanto

O Jornal 'Público', sério, de referência, na edição deste domingo espanta muita gente. Não que tenha sido a primeira vez, nem será a última certamente. Nem é no jornal propriamente dito, mas na revista que o acompanha aos domingos, de seu título 'PÚBLICA'. Depois de na semana passada a capa daquela revista ter sido a de um Senhor do Mundo, Charles Azenavour, esta semana a mesma revista resolve pôr em pé de igualdade um gajo do submundo. E dando-lhe a palavra, enaltece-o. Há qualquer coisa de "Rock Star" diz nessa capa. A jornalista ACP ficou embevecida com tamanha capacidade de liderança, com tanta honestidade e limpidez. Tanta verticalidade, tanta virilidade. E vai mais longe: «investiu no devio, mas em vez de cair na marginalidade ganhou um lugar na sociedade». É belo! Se este post estiver manchado, foram umas lágrimas derramadas com tanta poesia. Por cá, preferimos a imagem de quando o bicho foi agarrado por dois polícias sérios e a sério. Todos nós sabemos que em tribunal ele se safou. Tudo bem. Cada um cumpre o seu papel. Ele é o macaco e tem que saltar. ACP também saltou, ihô!

Saturday, March 1, 2008

45 / Será Que é Assim Que Se Faz Um Polícia?

Numa reportagem que foi vista num dos canais da RTP e que será tema do Jornal DIÁRIO DE NOTÍCIAS de 2 de Março, tiramos como ideia fundamental que o Colégio Militar irá regressar ao internato completo. O Coronel Fernando Policarpo, responsável pela área de comunicação do Colégio Militar, afirmou que «é difícil compatibilizar» os regimes interno e externo, uma vez que acaba por conduzir à existência de dois grupos de alunos que, num sistema formativo como o militar, se tornam incompatíveis, explicou. Na Polícia de Segurança Pública, quando há já alguns anos, a então chamada Escola Superior de Polícia, agora ISCPSI [Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna] abandonou o regime de internato completo, verificou-se de imediato uma ruptura na coesão do grupo. Apesar de haver sempre quem diga que não, é notório que houve. Mas mais perigoso do que haver dois grupos, no caso do ISCPSI, é haver três: acrescente-se os alunos dos PALOP, alguns com alguma capacidade de inclusão por motivos vários, diga-se de passagem. Embora o ISCPSI não seja uma escola militar, as bases estão lá todas. Apesar de haver Bolonha pelo caminho, a única diferença é que agora os alunos em vez de sairem com Licenciatura, saem com Pós-graduação ou Mestrado. De início, saíam como Chefes mas agora saem como Subcomissários. Qualquer dia sairão como Comissários. Entretanto, o mesmo DN publicou hoje, 1 de Março, uma linda reportagem na sua revista NS que também é distribuida com o JN, em que fala na difícil forma[ta]ção que se tem no Instituto. Vamos ficar à espera duma reportagem sobre a Escola Prática de Polícia.

44 / O Direito à Asneira - (2)

Às vezes pomos os olhos em notícias que mais valia nem sequer termos olhado. Desta vez, foi a leitura da Comunicação Social de Évora. A determinada altura, numa notícia diz-se o seguinte: 1) «O posto da PSP na Cruz da Picada vai reabrir até final do ano. Setembro ou Outubro são as datas previstas. Mas ainda é necessário transferir a equipa de inactivação de explosivos para outro local. E proceder a pequenas obras no edifício.» 2) «Estamos a pensar reabrir o posto. Logo que tenhamos essa disponibilidade do edifício procederemos à mudança» 3) [O posto abrirá como] «interface, onde o polícia de proximidade pode receber as pessoas e onde estas se podem dirigir para apresentar uma denúncia ou por qualquer outro motivo» referiu o Subintendente José Oliveira, Comandante Distrital da Polícia de Segurança Pública[...]». Ou este Comandante anda distraído ou então anda a ver muita televisão e entusiasma-se. Obviamente que só abrirá o posto na data em que está a pensar se acontecerem muitas coisas. E essas coisas na PSP, a maior parte das vezes, demoram a acontecer. O que também espanta é haver necessidade de haver este discurso do que vai ser. Mas o que realmente chama a atenção é o Sr. CD dizer que o posto vai ser uma inteface e que .... etc. etc. Então para que servem os locais de atendimento policiais? É preciso dizer para que serve a polícia?

Friday, February 29, 2008

43 / O Direito à Asneira

Há coisas que caem mal em qualquer altura. Uma delas é haver pessoas e organizações que gostam de se pôr em bicos de pé e dispar[at]ar na direcção que mais lhe convém. Já aqui se disse (ver a mensagem 30 / Escola Segura) que quem quisesse angariar serviços que procurasse outros alvos. O mesmo serve para a situação que se passou há dias no Porto. Professores convocados por SMS. Comparecem na Avenida dos Aliados umas centenas de professores. Pretendem demonstrar o seu repúdio contra a Ministra da Educação e sua politica educativa. A PSP comparece no local e identifica 3 (três) pessoas, que por sinal são professores, que entretanto haviam prestado declarações aos media. Vem o PSD/Porto e diz que vai indagar o MAI para saber o que é que a PSP andou lá a fazer. Então os Srs. politicos não sabem as leis que fazem? A PSP, diga-se pessoas, homens, mulheres, responsáveis, gente com filhos e família, foi ao local e cumpriu o que está estabelecido na lei: como não havia conhecimento de autorização de manifestação, havia que identificar os seus promotores. Foram os que falaram aos media? Se calhar não. Mas estes assumiram alguma liderança. Trabalho da Polícia muito bem feito. Os políticos (?!) têm que deixar de olhar para nós como se fossemos a imagem que eles têm deles próprios. A Polícia e os seus homens e mulheres têm que deixar de ser usados como bolas de farrapos. A polícia pode algumas vezes andar a toque de caixa, mas acima de tudo cumpre a lei, e tem sido o garante democrático. É por nós existirmos, à custa de muito sacrifício, que algumas pessoas acham que podem falar de qualquer maneira e feitio. Mas isto tem de acabar. Ai tem, tem!

Wednesday, February 20, 2008

42 / Promoções

Terra da Surpresa (ou nem por isso) - De repente, sem nenhuma publicidade, com máxima discrição, lá foram os nossos homens, estrada abaixo, estrada acima, para aceitarem serem Subintendentes e Intendentes. Aceitaram, assinando uma folhita, e lá vão eles por aí acima, ou por aí abaixo, de regresso às suas casinhas com mais peso nos ombros. Finalmente. Após a atribulação dos concursos, a raiar a falta de isenção e seriedade, e cujos resultados, cada vez mais, vão causando divisões irreversíveis na polícia, os nossos homens foram promovidos. Colocações? Nem uma palavra. A Direcção Nacional promove e depois vai pensar. Depois se diz. Provavelmente ainda estarão agora a fazer contas de onde é cada um dos promovidos para o mandar para o lugar mais longe da sua residência. Só assim se justifica não ficar logo definido, no acto de aceitação do posto, o lugar e as funções que cada um vai ocupar. De qualquer forma, parabéns.

Tuesday, February 19, 2008

41 / Bexiga à Moda do Porto

Norte Desportivo - "O Ministério Público decidiu arquivar, por falta de provas que fundamentem a acusação, o processo relativo às agressões de que foi alvo Ricardo Bexiga, antigo autarca socialista de Gondomar, revelou ontem fonte judicial".
RTP - "A equipa de coordenação do Processo «Apito Dourado» responsabilizou, na passada semana, os procuradores do Porto pelo arquivamento do processo às agressões de Ricardo Bexiga. A equipa liderada por Maria José Morgado considera que a investigação não teve em atençãoas medidas básicas de investigação."
TSF - "Morgado responsabiliza DIAP/Porto por arquivamento - A equipa de Maria José Morgado responsabiliza os procuradores do Porto pelo arquivamento do processo sobre as agressões a Ricardo Bexiga. No despacho da equipa do processo Apito Dourado, a que o jornal Sol teve acesso, o Departamento de Investigação e Acção Penal do Porto (DIAP) é acusado de não ter realizado medidas básicas da investigação."
Como funciona o sistema disciplinar para os senhores Procuradores, Juízes e restante pessoal que com eles trabalha? Na «privada» seja indústria, comércio ou serviços, há uma coisa que se chama justa causa. Quando se ouve falar disso, de imediato se ouve o nome da pessoa despedida. Muitas vezes sem mesmo a causa ser muito justa. Na polícia, como não se pode despedir por causa justa, abre-se um processo disciplinar e, em última análise, «dá-se uma porrada». Com os administradores da justiça como se faz? Não se faz nada? Sonegar informações, protelar informações, ler nos jornais todo os dias matéria sobre as mesmas coisas e assobia-se para o lado? Depois, depois tudo serve para se reanimar a guerra Norte Sul, ou Porto Lisboa, com óbvias culpas -como sempre- para o Norte. Mas que desnorte. Mas parece que o pessoal do Porto já se vai habituando: como já têm Tripas à Moda do Porto, passariam a ter Bexigas à Moda do Porto. Juizinho é o que se pede.

Monday, February 11, 2008

40 / Quadros Roubados

ZURIQUE (AFP) — Quatro quadros, de Cézanne, Degas, Van Gogh e Monet, avaliados em mais de 112 milhões de euros, foram roubados neste domingo da Fundação Collection E.G. Bührle, no que foi considerado o maior crime desse tipo no mundo em 20 anos.Segundo o porta-voz da polícia de Zurique, Mario Cortesi, trata-se do "maior roubo na Suíça e na Europa".
De acordo com os investigadores, três homens armados encapuzados entraram no museu pouco antes das 16h30 locais (13h30 de Brasília), obrigando os funcionários a se deitarem no chão. [Entretanto]
As obras "Cabeça de cavalo" (1962) e "Copo e Jarra" (1944), desapareceram na quarta-feira do centro cultural de Pfaffikon, onde estavam expostas.
A polícia suíça não considera que possa haver relação entre esses dois roubos.
Vamos por partes: na Suiça, terra da infabilidade, dinheiro, relógios, chocolate, anonimato e vídeovigilância, uns indivíduos com a cabeça coberta, em plena luz do dia e na mesma semana, foram autores roubos de obras de arte valiosíssimas. Não foi por falta de segurança nem vídeovigilância que as mesmas deixaram de ser roubadas. Ou seja, a segurança estava lá, mas os quadros já não. Estes acontecimentos remetem-nos para uma mensagem anterior (ver a mensagem 35 / Vídeo Vigilância) em que basicamente se critica o papel demissionário do Estado na segurança pública. É com tristeza que se vê um indívíduo da nouvelle estirpe dos negócios da noite (antigamente só eram as putas que assim eram conhecidas) a reunir com o MAI e a impôr um comportamento. E pior ainda. O Sr. Magalhães, Secretário de Estado do MAI, a descansar os portugueses que a segurança de uma determinada zona de uma dita cidade, nada irá custar ao erário público. Haverá maior hipocrisia do que esta? Então para onde vão os nossos impostos?

Thursday, February 7, 2008

39 / Explosivos

Algures, em Santa Ignorância - Veio a público, durante o Carnaval, que tinham desaparecido, ou teriam sido roubados, duma pedreira em Viana do Castelo, cerca de 25 Kg de explosivos. O nossso homem da segurança teve que vir logo para os jornais e televisões acalmar o povo alarmado. Estava tudo «porreiro pá», até porque já se tinha avisado os espanhóis e ... blá, blá, blá. Quando se vê responsáveis como este a acalmar o povo, deveríamos todos ficar alarmados, pois maior desfasamento da realidade não poderia haver. Saberá este senhor, que todos os dias, se fazem transporte de explosivos pelas nossas estradas? Saberá este senhor, que os explosivos, por causa de regulamentos estradais que nada têm a ver com o terrorismo, obrigam as transportadoras a circular com os explosivos entre determinadas horas e só em determinadas estradas? Saberá este senhor, que a escolta policial fornecida, é feita por um agente polícial, normalíssimo, sem qualquer formação específica, bastando estar numa escala de serviços remunerados e aguardar pela sua vez? Saberá este senhor, que esse mesmo elemento policial vai sentado ao lado do motorista? Saberá este senhor, muitas coisas mais que agora não se escreve, mas que este senhor deveria saber? Saberá este senhor, que às vezes é melhor estar calado?

Thursday, January 31, 2008

38 / Reestruturação - (3)

Muitas luas se passaram desde que se percebeu que as freguesias partilhadas, entre a Polícia de Segurança Pública e a Guarda Nacional Republicana, poderiam já não funcionar muito bem. Olhar para o actual estado de coisas e chamar nomes feios aos antigos, como se costuma dizer, é não ter noção de nada. Antes, as cidades eram mesmo cidades: estavam lá, longe. No meio ficava o campo e depois as vilas, aldeias, povoações e lugares. Vieram as estradas, o melhor rendimento familiar [veio a CEE, lembram-se?] passou-se a andar de carro, a desprezar os combóios e as carreiras, até à sua quase aniquilação. Começou-se a desprezar as forças de segurança; aliás alguns deles eram a própria imagem de desprezo que sentiam por eles próprios, tal era a deformação física e mental. Depois vieram as empresas privadas de comunicaçao social. Depois, veio muita coisa. E a insegurança também. Também veio a modernização das forças de segurança. Novas tarefas, novas responsabilidades, nem sempre bem explicadas, nem sempre bem compreendidas. Veio o poder local e ainda o seu reforço. No dia 1 de Fevereiro completa-se um ciclo. Ou melhor, inicia-se um ciclo novo. PSP e GNR cada força com a sua zona bem delimitada. O poder local, que começou por oferecer instalações e computadores, começa a entrar formalmente nas polícias. Esta reestruturação é o primeiro passo para a assunção efectiva do poder policial por parte das Câmaras Municipais. Voltaremos.

Sunday, January 27, 2008

37 / Galinheiro

Bom, todos nós já sabíamos que o homem era caceteiro, mal educado, impulsivo e fala barato. Não sabíamos que também era estúpido! E o que faz dele um estúpido? Um estúpido,só é estúpido, mesmo estúpido, quando pensa que ao falar de coisas velhas, sob roupagens novas, toda a gente lhe irá dar muita importância. Todos nós admiramos um bom estilo caceteiro, não foramos nós uma nação maioritariamente católica: acreditamos na redenção dos pecados. Podemos pecar de manhã, arrepender de tarde, à noite confessar e no dia seguinte acordar um homem novo. Só que a vida não é assim. É muito mais simples, embora às vezes se complique. O 'homem' não disse nada que já não se tivesse falado em qualquer café em época fumadora. Aquela intervenção foi mais fumaça que outra coisa. Depois, já dizia que não eram denúncias, que era politica. Que os jornalistas sabiam mais do que ele tinha dito. Pois... Pois... Enfim mais uma luta de Pintos. Um já consegui salgar o prato. Vamos lá a ver se o outro consegue montá-lo, não fosse um Marinho e outro Monteiro.

Saturday, January 19, 2008

36 / A Reestruturação - (2)

CHAVES - Oportunidade Perdida - O desNORTE da reestruturação da Polícia de Segurança Pública verifica-se com um indicador externo. Explica-se: durante anos, a cidade de Chaves, teve uma Secção Policial, estrutura intermediária entre Esquadra de Polícia e Divisão Policial. Entretanto a nova Lei Orgânica da PSP diminuiu um patamar na sua estrutura e cortou as Secções Policiais. Agora só há Divisões ou Esquadras. Belo. A cidade de Chaves tem vindo a crescer. Está na fronteira com Espanha. As novas acessibilidades põem a cidade cada vez mais perto do litoral e mais apetecível aos espanhóis. O que se projecta para lá? Simplesmente baixar o estatuto policial: de Secção Policial passa a Esquadra. Baixa de estatuto com a consequente perca orgânica. Entretanto parece que a dita Sociedade Civil, com o seu dinamismo - e certamente a acreditar em determinado status quo ante - neste caso a empresa Solverde, vai inaugurar um Casino já no dia 19 de Janeiro de 2008, em... Chaves. Voltaremos.
Do site da empresa
SOLVERDE : «A abertura do Casino, situado junto à saída da A24 para Chaves, precede assim a inauguração do complexo turístico, com um hotel de quatro estrelas, num investimento global de 40 milhões de euros, que prevê a criação de 220 postos de trabalho directos. Com esta nova aposta, a Solverde alarga a sua área de influência aos mercados do interior norte do País e da Galiza

Thursday, January 17, 2008

35 / Vídeo Vigilância

Instalou-se a ideia que os sistemas de vídeo vigilância nos locais públicos – não confundir com locais privados de acesso público – irão resolver, de certa forma, alguma criminalidade existente nas cidades. É um engano redondo. Portugal tem, teve sempre, a mania de pouco planear e fazer as coisas em reacção a algo. Passaram-se anos sem que a Comissão Nacional para a Protecção de Dados desse a respectiva permissão para a instalação de câmaras de vigilância nos espaços públicos. Algumas cidades com centros históricos já o solicitaram, mas a resposta foi sendo adiada. Bastou que uns indivíduos mais mal formados (é bom recusar-lhes o estatuto de malfeitores ou gangue, pois incha-lhes o ego) começarem aos tiros uns aos outros para que fosse liberada a autorização. Erro redondo. O Estado ao permitir tal vigilância, não inova, demite-se em definitivo, das suas obrigações. Como se demite de formar novos polícias durante dois anos. A vídeo vigilância resolve. Mas não. Aquilo não vale nada. Acicata o voyeurismo. Nada mais. Digamos que a vídeo vigilância está para a segurança, como os contraceptivos estão para as relações sexuais: pode-se dar muito uso, mas continuamos a ter que ter cuidado.

Tuesday, January 15, 2008

34 / A Reestruturação - (1)

Uma Certa Associação Sindical de Polícia - Vários Comandos - Actualidade - Foi posto a circular por e-mail um documento cujo destino era uma Associação Sindical. Não se sabe se outros sindicatos terão recebido o mesmo documento. Nem interessa para o efeito. Ou por outra, interessa, mas não é isso que agora se trata. Nesse documento, proposta (ou projecto?) aparecem situações que no mínimo se podem considerar absurdas. Nomeia-se uma. Chamam-se a determinados Comandos de Polícia de «Comandos Complexos». E por serem complexos terão uma estrutura mais complexada, ou melhor mais fortelacida. Explica-se: os Comandos Complexos - que não se percebe se por serem complicados ou por serem complexados - terão como Comandantes pessoas da mais alta patente. Os Comandos sem complexos - presume-se que serão «Comandos Descomplexados» a patente não precisa de ser tão complexada. Perdão, tão elevada. Ao fim de tantas esperas o melhor que se produz não leva a lado nenhum. Não se uniformiza, não se limam arestas. Antes pelo contrário, criam-se clivagens, mais clivagens ainda, e parte-se para a confusão e para a efectiva complexidade. O Príncipe - sim o de Maquiavel - não teria pensado melhor. Voltaremos.

Sunday, January 13, 2008

33 / The Closer

" Brenda é uma detective treinada pela CIA que chega a Los Angeles para comandar um Esquadrão de Crimes Prioritários, uma unidade especial do Departamento Policial de LA, que lida com casos de assassinato. Brenda é convidada para comandar a Equipa devido à sua grande capacidade de interrogar os suspeitos.Quando é preciso ter uma confissão para fechar um caso, é ela que consegue". É Ficção e passa na televisão por cabo, num dos canais da FOX. Mudemos os nomes: a Brenda chamaremos Helena. Troquemos o local de treino: CIA passa a PGR. Troquemos o Departamento: de Departamento de LA, passa a Polícia Judiciária. Troquemos o local da acção: Los Angeles passa a Porto. É real e é um cabo dos trabalhos.

Thursday, January 10, 2008

32 / Fumar Faz Mal

Fumar faz mal. Mas há tantas coisas que fazem mal! Fumar incomoda, mas há tantas coisas que incomodam! Fumar é caro, mas há tantas coisas que são caras! Fumar pode ser uma falta de respeito. Mas há tantas faltas de respeito! Fumar faz a roupa e o ambiente cheirar mal. Mas há tantas coisas que cheiram mal! Fumar está fora de moda. Mas há tantas coisas que estão fora de moda! Fumar não faz maus polícias E há tantos maus polícias! [... que as instalações policiais sejam aliviadas das tarjetas vermelhas que se colaram a torto e a direito como se fossem edifícios comerciais.]

Monday, January 7, 2008

31 / Liberdade de Imprensa

Segundo a revista “NS” publicada com o Diário de Notícias no passado sábado dia 5 de Janeiro, uma equipa de reportagem de um OCS denominada «O Mirante» era passageira de um carro descaracterizado da GNR. A determinada altura a equipa da GNR verificou e mandou parar um veículo que excedia, muito acima, o limite de velocidade permitido em Auto-estrada. O Autuado era o agora famoso «polícia-que-papa-a-call-girl» do filme... "Call Girl" ou "Rapariga de Programa", como aprendemos com as telenovelas brasileiras. O rapaz lá pagou a coima e foi à vida. Assunto arrumado! Assunto arrumado? Antes pelo contrário. Os senhores do «MIRANTE» miraram logo ali uma oportunidade jornalística e vai daí, publicaram a filmagem toda no site do jornal. Se isto não mete nojo, já não sei que adjectivo utilizar. Mas enquanto o nojo vai e vem, é necessário lembrar a Informação n.º 157/2004, Processo 108/2001 e 488/2002, L.º 115 e H-16, da Procuradoria Geral da República, cujo assunto é nada mais nada menos do que o seguinte: «Transmissão televisiva de imagens de acções policiais. Liberdade de Imprensa. Segredo de Justiça». Apesar do novo CPP, os princípios continuam válidos.

Sunday, January 6, 2008

30 / Escola Segura

A história começou a rolar pela imprensa na semana passada, através do semanário Expresso. Um ressabiado Jorge Parracho, Coronel, aposentado supõe-se, após mais de vinte anos como Conselheiro de Segurança do Ministério da Educação, veio em entrevista dizer que o Programa Escola Segura está ferido de ilegalidades, quase mortais. No mínimo interessante. Como é que uma pessoa fica vinte e dois anos, irresponsavelmente à espera de dar uma entrevista? Esta semana, não com tanto destaque, o mesmo semanário volta à carga. Desta vez até diz que a IGAI levantou vários inquéritos. Gostava de não sentir a inutilidade escrever para o Expresso e para a imprensa em geral e informar que não é necessário a IGAI aparecer para as instituições funcionarem. Na Polícia de Segurança Pública, é dela que se fala no momento, sempre que se detectam inconformidades, estas são analisadas hierárquicamente e, quando é caso disso, submetidas a escrutínio disciplinar. Não é necessária nenhuma IGAI para iniciar porra nenhuma. Obviamente que a IGAI inspecciona todos (todos mesmo?) os serviços do MAI. Da maneira como os jornalistas falam até parece que até chegar a IGAI é um fartar vilanagem. As Relações Públicas da PSP há já muitos anos deveriam estrategicamente vir a lume e esclarecer estas questões. Para terminar, um conselho: Não toquem na Escola Segura! Quem quiser angariar serviços, use outros alvos.

29 / BES...tial

O Banco Espírito Santo na sua nova campanha de pagamentos de contas - ou por conta - esqueceu-se, ou talvez não, de acrescentar um quadradinho às imagens. Faltou-lhe o quadradinho para os terminais de pagamentos de coimas que a PSP vai passar a utilizar. É caso para dizer: «esta multa foi patrocinada pelo BES». Ou então é para perguntar: Será que os testes para estes terminais foram iniciados com o Cristiano Ronaldo quando pagou às «Call Girls» na Inglaterra? É que, se é ele que se deita no colchão, à Polícia... deitam-na abaixo!

28 / Vive le Terrorisme

Antes de mais nada, tracemos um paralelo: desistir do Lisboa-Dakar por causa do terrorismo é a mesma coisa que admitir que a polícia não pode entrar em determinados bairros. Não é fácil, mas entra! Não se desiste! E se não é a bem é a mal. Em segundo lugar, apesar dos interesses económicos instalados ditarem mais alto, é o governo francês que manda assim na malta toda? Então por que raio de carga de água é que o rally se chama «Lisboa Dakar», embora na placa da organização só apareça a palavra «DAKAR»? Para terminar, em que raio de mundo nos vamos transformar,quando serviços secretos conseguem proteger o Presidente francês e a sua amante, enquantro estes se esfregam pelas múmias egípcias, e anula-se assim um evento com trinta anos? É caso para dizer: « Vive le Terrorisme, Msieur Sarkozy!»

Tuesday, January 1, 2008

27 / As Novas Áreas

Com a entrada de 2008, embora com alguns dirigentes da PSP com a recta final à vista, é necessário dar seguimento ao que está estabalecido legalmente: a Polícia de Segurança Pública receberá umas áreas da Guarda Nacional Repúblicana e vice versa. Aparentemente tudo está correcto, mas não é verdade. Todos se lembrarão que a GNR sempre que havia uma situação nova, apresentava Equipas Especializadas: desde o Grupo de Intervenção, ao SEPNA, dos Bombeiros Aéreos às idas para o Iraque, sempre apresentaram na hora aquilo o que era preciso. Mais do que jogadas de antecipação, houve jogadas de concertação entre os Militares da GNR e o Poder Político. Perguntava-se entretanto como é que a GNR iria fazer face ao patrulhamento nacional, uma vez que cada vez retirava mais meios do patrulhamento normal. Em Maio foi dada a resposta: a PSP recebeu o piorio que a GNR tinha, tendo esta absorvido os efectivos dessas áreas. Quanto à áreas que a GNR recebeu da PSP basta dizer que recebeu o Turismo [Fátima, S. Pedro de Moel, algumas zonas de Lisboa...]. Recebeu praias e coutadas. Para além do Penacho das escoltas que já tinha . A isto se chama Policiamento de Visibilidade. O resto é musica. Directores de Serviços... Tsst. Tsst.