Saturday, May 16, 2009

123 / Nós Queremos Mas Não Queremos

QUEREMOS MAS NÃO QUEREMOS (1) - É recorrente ouvirmos falar da falta de comunicação entre Polícias. Também ouvimos falar da falta dela entre os polícias. Outras vezes não é um problema de comunicação, é mais uma questão de informação: existe, mas não serve ninguém porque, questão pura e simples, ninguém a lê!!!
Para além disso, há outras situações, que pela falta de rigor e pela falta de cuidado no pormenor, descridibiliza tudo o que venha à posteriori. A Direcção Nacional da PSP aconselhou (proibiu seria a termo correcto), quanto a nós muito bem e só peca pelo atraso, que em expediente oficial, se fale no termo «CARJACKING». Estranho é, que o Ministério da Administração Interna, continue a ter na sua página oficial "em linha", aquilo que uma força sua subordinada desaconselha a usar.
QUEREMOS MAS NÃO QUEREMOS (2) - Outra situação que começa a roçar o ridículo, é a insistência, repristinação ou criação, [consoante se mantém, recomeça algo que já havia acabado ou se inicia algo que nunca tinha existido] dos "Dia do Comando" de cariz militar. Até há uns meses atrás, poder-se-ia dizer, como ainda não tinha saído qualquer diploma que definisse a nossa (PSP) situação, que as regras [antigas] eram para manter. Não se compreende agora, após publicação de um diploma que no máximo nos diz que somos «uma força de segurança uniformizada e armada» e ainda um outro, que nos equipara, limita e condiciona as progressões nas carreiras porque somos funcionários públicos... Não é por nada, mas não se consegue imaginar uma Formatura Geral duma Repartição de Finanças, de máquina de calcular à cintura, ou mesmo uma revista aos Enfermeiros em Parada de algálea em punho e bisturi a apresentar arma. Não se trata de concordar ou não com o que quer que seja. Trata-se somente de se definir quem somos, onde estamos e para onde vamos.
Será tão óbvio, tal como todos os portugueses, nós queremos mas não queremos [ver mensagem 118 / Segurança, Sentimento e Opinião - 25ABR09].

Sunday, May 10, 2009

122 / Esta Desordem

Afinal começa a ser cá dentro! E, como sempre, toda a gente quer dar opinião. Começa-se a ouvir tudo de todos. Desde o cidadão anónimo (normalmente o mais sensível aos efeitos da desinformação) aos doutores, todos produzem a sua opinião. Todos traçam o seu cenário. Independentemente de todas as "verdades" produzidas, dá-nos sempre a sensação de que ninguém vai realmente ao fundo da questão, que ninguém questiona o que realmente está por detrás desta erupção de problemas que se registam no Bairro da Bela Vista. Quanto a nós a pergunta chave é a seguinte: A quem serve esta desordem? Só pode servir aos marginais, criminosos, traficantes e todos aqueles que querem demonstrar entre portas (leia-se, o próprio bairro) que podem controlar o bairro. Esta desordem serve como banco de ensaio para algo que está para acontecer efectivamente. Desordens como esta, têm demonstrado até que nível se pode chegar com uns "fogachos": 1.º Ministro falou, Ministro da Administração Interna falou, Governadora de Setúbal falou e o Director Nacional da Polícia... concordou.
Esta desordem, este incidente (é bom recordar que desta vez o assunto não foi por causa da PSP ter morto ninguém, mas disso ninguém fala, vá-se lá saber porquê) deveria ser gerido publicamente com um Porta-Voz Policial e nada mais. Atenção que se disse, repete-se, deveria ser gerido públicamente, por um Porta-Voz Policial e não com a presença dos mais altos representantes políticos no terreno.
Elevar a fasquia política tal como feita, mais do que um erro, é um erro estúpido, pois não se está a valorar correctamente o caso, mas sim a valorizar exponencialmente os estrategas da desordem!
Toda a gente fala que aquele bairro tem graves problemas sociais, mas a crise que se vive é policial. É neste âmbito que tem que começar a ser resolvida. A Polícia, ou qualquer outra força de segurança, tem que ter a oportunidade de gerir efectivamente a crise. Tem que haver sinais claros que os actos criminosos têm consequências e que os actos policiais têm a correspondente resposta dos Tribunais. Mas pelos vistos, infelizmente, a Magistratura Portuguesa mora noutro país (ou pelo menos noutro bairro) pois não adianta apresentar em tribunal qualquer indivíduo que tenha sido detido pela sua participação na desordem, sem que este seja imediatamente solto!
Concluindo: o teste em Lisboa já lá vai, o de Setúbal em realização.
À 3ª será de vez?

Sunday, May 3, 2009

121 / As Listas da Vergonha

21 de Dezembro de 2007 - Mensagem 24 / Caupers "CLEANING SA"- « A prenda de Natal para oito empregadas de limpeza do Comando Distrital de Faro foi a notificação do seu despedimento a partir de 16 de Fevereiro de 2008, sem direito a indemnização nem subsídio de desemprego.(...) Já aqui foi dito que a Senhora Directora para os Recursos Humanos da PSP, Teresa Caupers, invoca muito a lei. O que não é errado, antes pelo contrário (...). Pois… mas cumpre-se a lei. »
24 de Março de 2008 - Mensagem 54 / A Posse - « Ao tomar posse, o novo Director Nacional da PSP, terá certamente que ter em mente as altas expectativas que nele são depositadas. Por estar entre nós há muitos anos, por ter currículo militar e, apesar do contracenso, ter também perfil civilista. É moderno, tem boa imagem, com algumas Comissões de Serviço no estrangeiro – ainda como militar – vários empenhamentos internos com sucesso. Não fosse um acidente, teria sido o Nosso Homem Euro 2004, como já tinha sido o Nosso Homen Expo 98. É um Diplomata. Conhece burocraticamente a Polícia. Será que conhece a Polícia real? (...) No fundo, queremos aquilo para que nos é intrínseco e nos tem sido politicamente expoliado: Integridade, Frontalidade, Exigência, Ética, Tradição, Disciplina, Honra e Unidade. O Desafio é enorme e aliciante Senhor Director Nacional. »
5 de Abril de 2008 - Mensagem 57 / A Função Pública - « Tem-se ouvido falar, nos últimos tempos, numa lei que vai equiparar os Polícias (PSP) a funcionários públicos. Ficam de fora os Militares [do Ministério da Defesa] e os Militares da GNR [Ministério da Administração Interna]. Pasme-se! Imagine-se se tamanha baboseira tiver pernas para andar! »
Porquê estes exemplos? Porque temos que ser sérios. Já que somos no papel e por causa disso Funcionários Públicos, agora a Administração - quer seja o Governo, quer seja a DN - tem que assumir aquilo que nos impôs e começara a tratar-nos como tal. Não podemos ser FP para os deveres e nada sermos para os direitos. Ora na PSP o que mais há são listas de desmandos, listas de protestos, de reclamações, etc., etc. A PSP tem que ser séria! Há elementos que recorrem para tribunal de decisões da DN e, quando ganham, a decisão só aproveita o recorrente, mantendo-se inalterável os outros casos. Sabendo a administração da DN que se todos recorressem, todos ganhavam, porque manter os polícias assim sob tensão?

Thursday, April 30, 2009

120 / Trabalhar por Objectivos - (2)

Porque será que admiramos as empresas privadas quando elas aparecem diante de nós com a arrogância do resultado porque, alegadamente, têm uma boa organização e uma boa gestão e desprezamos o equivalente do sector Estado?
Porque será que fechamos os olhos à disciplina imposta, baixos salários, excesso de carga horária, fardamento, etc., só porque é do sector privado?
Porque será que o sector Estado é massacrado se é geralmente cumpridor?
Porque será que causa celeuma, enquanto trabalhadores do Estado, uma directiva quanto à forma de vestir numa Loja do Cidadão e enquanto trabalhadores privados, seja em grandes superfícies, em bancos, a vender roupa, sapatos ou servir bicas à mesa, o primeiro acto de empresa e de aceitação das condições de trabalho é pôr o funcionário fardado e ... Silêncio?
Porque será que o Estado não pode impôr/negociar objectivos com os seus funcionários?
Porque será que sempre que a PSP traça objectivos, vêm logo os OCS dizer que é «caça à multa» ou «é repressão» e «não é prevenção» e outra série de barbaridades que nem vale a pena mencionar?
Só por curiosidade,e porque se fala em objectivos, republica-se hoje, ao entrar em Maio, a mensagem 70 / Trabalhar por Objectivos [11 de Maio de 2008].
«Todas as organizações trabalham por objectivos. Sejam elas públicas ou privadas. Há objectivos que, pelo empenho, podemos com maior ou menor dificuldade atingir: dependem de nós. Há outros, refectindo-se na nossa área de actuação, pouco ou nada podemos fazer, limitando-nos a registá-los: não dependem de nós. Há outros que, não dependendo totalmente de nós, mas também, sendo facilmente alcansáveis podem ter o efeito perverso, pois o registo do fenómeno, se não for bem analisado, corre a desfavor. Em todo o caso, anualmente, quando analisamos os números [que erradamente insistem em chamar estatística] verificamos que há uns números [registos de crimes] que sobem, outros que descem. É normal. O que não é normal é crucificarem uma organização porque tem objectivos. Menos normal, é o representante dessa organização, sentir a necessidade de vir comentar o comentário do comentarista que comentou o que ouviu dizer que havia sido comentado, algures numa região do país. Todos temos objectivos».

Tuesday, April 28, 2009

119 / Acredito Que Sim

Francisco de Oliveira Pereira, Director Nacional da Polícia de Segurança Pública, deu uma entrevista ao Jornal de Notícias [28ABRL09]. Como estas coisas não acontecem por acaso, por aqui, desconfia-se. Não daquilo que o DN disse. A entrevista, aliás muito inofensiva, tanto nas perguntas como nas respostas, pouco ou nada diz daquilo que já não se saiba, ou sabia. Nem à suposta pergunta polémica sobre os sindicatos, a resposta deixou de ser normal, real, límpida e... politicamente correcta:
«JORNAL DE NOTÍCIAS: Há actualmente nove sindicatos na PSP, como lida com esse número?
OLIVEIRA PEREIRA
: Esse número desagrega um pouco o tecido policial, porque são muitas pessoas, tem a ver com a operacionalidade da polícia por razões que mexem com o gozo de licenças, o gozo de créditos, tudo isto tem implicação no próprio serviço. Quando há uma esquadra que tem sessenta homens e em que dez são sindicalizados e que têm direito aos créditos, naturalmente que isto vai ter implicações do ponto de vista operacional».
«JORNAL DE NOTÍCIAS: Mas isso acontece?
OLIVEIRA PEREIRA:
Não sei se agora acontece, mas sei que aconteceu e não foi há muito tempo».
Então o que é que faz o Nosso Homem a Nossa Esperança dar uma entrevista destas? Será porque fez um ano que tomou posse? Não nos parece. [ver mensagem 51 / Francisco de Oliveira Pereira - 14MAR08].
A resposta é assaz simples: o Nosso Homem ou anunciou a sua retirada ou ameaçou com a sua retirada. Se foi anúncio, é porque perdeu a guerra com a administração central na defesa dos seus Homens; se foi ameaça é porque a guerra ainda vai no adro e é um sinal para confiarmos.
Até porque à pergunta mais importante da entrevista, «Então os polícias manifestam-se porque se sentem descontentes?» a resposta não podia ser mais conclusiva:
«Acredito que sim».

Saturday, April 25, 2009

118 / Segurança, Sentimento e Opinião

Publicou a revista «Visão» no seu último número ( 842, 23 a 29 de Abril) um estudo de opinião. O resultado desse estudo é interessante, pois aponta aquilo que mais nos caracteriza enquanto portugueses: o verdadeiro espírito de contraposição (não não nos enganámos. É mesmo contraposição). Nós queremos mas não queremos. Nós gostamos de uma coisa... porque odiamos outra. Melhor que sermos melhores em alguma coisa, é haver alguém pior. E quando somos piores, gostamos de ser os melhores nisso. Funcionamos por contrapeso. Já a Lili dizia que «estar vivo é o contrário de estar morto» originando um absurdo coro de textos de gozo acerca da elegante senhorita; como se pelo facto de existirmos estivessemos a viver. Enfim. Voltando ao estudo, que trata de do 25 de Abril/Revolução/Liberdade/etc., verifica-se então que aquilo que os portugueses sentem mais falta é PODERMOS SAIR À NOITE À NOSSA VONTADE E COM SEGURANÇA (35,1%). Perguntado se HÁ LIBERDADE EM PORTUGAL?, a resposta foi mais contudente, pois cerca de 71% respondeu que sim. Mais espantosa, é a percentagem de portugueses que nada abdica para que a tão propalada insegurança possa vir a diminuir, isto é, num claro exercício «QUERO, MAS NÃO QUERO!». Vejamos:
PERGUNTA GENÉRICA:
CONCORDA EM ACABAR COM ALGUMA DESTAS LIBERDADES PARA MELHORAR A SEGURANÇA OU ECONOMIA DA PAÍS?
- Buscas policiais sem autorização dos juízes [SIM: 22,6% - NÃO 64,9%]
- Levantamento de sigilo bancário [SIM: 41,1% - NÃO 43,2%]
- Detenções policiais sem factos para culpar as pessoas [SIM: 9,0% - NÃO 82,8%]
- Escutas telefónicas e visionamento do correio electrónico sem autorização de um juíz [ SIM: 18,5% - NÃO: 65,2%]
- Videovigilância nos lugares públicos [SIM: 69,7% - NÃO: 20,8%].
Resumindo: queremos os lugares com videovigilância, mas que no fim não servirão para nada pois a recolha de imagem, mesmo que levante suspeitas, ou apresente indícios de crime, nada adianta, pois não queremos um trabalho policial sem validação de um juíz, não podendo deter um suspeito para averiguar ou salvaguardar qualquer prova inicial e muito menos escusam de pedir o levantamento do sigilo bancário.
[Será que seria pedir muito, para contento do pessoal, e para se sentirem mais seguros, se fechássemos as portas, pelo menos, de sexta à tarde a segunda de manhã?]

Monday, April 20, 2009

117 / Sou Enganado

Eu quero amor da flor de cactus
Ela não quis
Eu dei-lhe a flor de minha vida
Vivo agitado
Eu já não sei se sei
De tudo ou quase tudo
Eu só sei de mim, de nós
De todo mundo
Eu vivo preso à sua senha
Sou enganado
Eu solto o ar no fim do dia
Perdi a vida
Eu já não sei se sei
De nada ou quase nada
Eu só sei de mim
Só sei de mim
Só sei de mim
O patrão nosso de cada dia
Dia após dia
O patrão nosso de cada dia
Dia após dia
O patrão nosso de cada dia
Dia após dia
O patrão nosso de cada dia


Vinte e um anos depois, homenagem a todos os Polícias, de ambos os lados da barricada.
http://www.mpbnet.com.br/musicos/secos.e.molhados/letras/o_patrao_nosso_de_cada_dia.htm

SECOS & MOLHADOS - Conjunto vocal formado em 1971 por Ney Matogrosso, cantor; Gerson Conrad (São Paulo SP 1952), cantor e compositor; João Ricardo (João Ricardo Carneiro Teixeira Pinto, nasceu em Ponte do Lima, Portugal 1949), cantor e compositor.

Saturday, April 18, 2009

116 / O Canal Técnico

A Polícia de Segurança Pública, apesar do folclore que se pretende à volta dela, nunca esteve tão capacitada quer em recursos técnicos, quer em recursos humanos. Por outro lado, e quase paradoxalmente, com o crescendo da componente técnica, tem-se vindo a desvalorizar [ou será desvalorar] a componente hierárquica. Criou-se inclusivamente, para obviar alguma ignorância técnica, diga-se até, alguma rejeição às novas tecnologias por parte de algumas chefias colocadas em locais estratégicos, o chamado Canal Técnico. O que é afinal, o Canal Técnico? Resumidamente é o seguinte: é a forma de pôr funcionar a organização, por pessoal tecnicamente competente mas hierarquicamente incompetente. O que, por maioria de razão, cria automaticamente a figura do superior hierárquico tecnicamente incompetente. A ajuda para o desenvolvimento do Canal Técnico não passa só pelo alheamento das chefias intermédias (ou superiores): a democratização das novas tecnologias tem sido um factor importante – se não o mais importante – para a ocorrência deste fenómeno. Com o recurso ao correio electrónico não há hierarquia que nos valha. Desde os «Oi!», os «Boas!» até aos «Inté!», tudo serve para que qualquer sujeito nos melgue com um assunto qualquer. E pior! Após o envio do correio electrónico, o destinatário que se lixe, pois o remetente assume que, se aquele não leu o correio, que o tivesse lido: «eu já enviei a mensagem. Até imprimi o recibo como ele o recebeu!» O Canal Técnico veio também a criar uma nova figura hierárquica e moderna, para substituição de uma outra mais tradicionalista (ou conservadora, como quiserem). É a figura do «Encarregado», pois grande parte das mensagens do correio electrónico começa assim: «Encarrega-me o Exmo. Sr. Comandante de…»
[Esperamos todos que o Novo Estatuto venha a integrar esta nova figura de base, mas que acima coloque o «Encarregado Geral», e abaixo o «Subencarregado-Principal», com direito a “subsídio de correio” e, como especialidade, “subsídio de letra”].

Sunday, March 29, 2009

115 / Playboy

Durante este fim de semana, aconteceram diversas "coisas" interessantes. Poderiamos aqui falar dos diversos debates que se fizeram -e vão fazer- em torno dos relatórios da criminalidade, mas isso não nos cheira a interessante. Poderíamos falar da conferência de imprensa do SISI, mas o homem continua à toa na vida [ver mensagem 96 / Estava à Toa na Vida e o Meu Amor me Chamou de 28 de Outubro de 2008], mas isso não teve qualquer interesse, a não ser de falar de coisas que já se tinham falado, repisando, replicando redimensionando e propalando, para mal dos nossos pecados, a tal sensação de insegurança, que afinal se pretenderia evitar. Poderíamos falar do suicídio de um oficial da PSP, por sinal um 2.º Comandante Distrital, um dos raros negros Oficiais da PSP, mas isso, obviamente, não tem interesse nenhum.
Interessante, o que realmente foi interessante, é que finalmente chegou às bancas a revista «PLAYBOY» portuguesa, em português de Portugal e não brasileiro. Admitimos que foi uma emoção. Das grandes. Finalmente vamos poder ler os artigos, em vez de vermos só as fotografias, algo que estávamos impedidos de o fazer anteriormente por estar escrito em estrangeiro.

Sunday, March 22, 2009

114 / Definitivamente!...

Tomemos a actividade de Investigação Criminal numa escala de 1 a 10, sendo o número mais elevado a investigação mais perigosa [ou até a de colarinho branco]. Nos primórdios a PSP tinha as "equipas à paisana". Pouca investigação poderiam fazer, até porque não havia grande legitimidade. Os paisanas eram um apoio efectivo à esquadra policial. O máximo que investigariam era algo muito local, muitas vezes decorrente do flagrante delito. Numa escala de 1 a 10, executariam «investigação» entre 1 e 3. A investigação a partir daqui era para a PJ que obviamente não ligava a bagatelas. Gostaram sempre mais de ter investigações tipo, digamos, 6 a 10, embora os casos que coubessem entre os tipos 4 e 5 também fossem deles. Acontece que conforme foram saindo leis [de adequação] da investigação criminal, a PJ foi chutando para fora da sua área de intervenção, aquilo que realmente dá trabalho e que eles não quiseram ficar: exactamente o nicho dos crimes tipo 4 e 5. Assim, de repente, a PSP ficou a executar aquilo que na PJ nem lhe tocavam: passamos a ter competências para crimes de tipo 1 a 5. É um trabalho para o qual a PSP não estava estruturada nem vocacionada. Houve necessidade de adequar os meios e efectivos para esta nova realidade. Esta nova realidade é um trabalho judicial e não policial, embora se toquem e misturem. Posto isto, é chegado o momento da confissão: neste local de reflexão nunca se quis denegrir o trabalho da Investigação Criminal na PSP, embora, admitimos, possa ter parecido. O que se disse, e agora se repete, é que o Novo Estatuto escolheu «A abolição em definitivo da importância estratégica de se ser polícia sem se ser especialista, i.e., ser patrulheiro, ser graduado de serviço, ser polícia de giro, enfim, chama-lhe o que quiserem, mas ser-se polícia normal», uma vez que o Novo Estatuto leva a PSP para caminhos que não são própriamente vocação sua, pois o sistema de subsídios que se propõe aplicar na PSP não espelham aquilo que é a missão principal da PSP, pois paga melhor aos especialistas.
Definitivamente!...

Thursday, March 12, 2009

113 / O Mundo é dos Jovens

ASSUNTO NÚMERO UM - A mensagem 112 / O Novo Estapafúrdio Orgânico não funcionou como se pretendia. A intenção foi alertar para o facto de que a Polícia generalista e preventiva estava a desaparecer. A Polícia tal como ela deveria ser, a do patrulheiro, da prevenção e da comunidade, para sobreviver, estava a necessitar de Programas Especiais, tal como o Programa Integrado de Policiamento de Proximidade, os antigos programas da Escola Segura, Comércio Seguro, Igreja Segura, etc. O Ministro da Administração Interna, qual Rousseau, inventou um Contrato Social. Afinal o que é isso do Contrato Social? É tão somente o espelhar da Teoria da Obediência, de que os pactos são para serem cumpridos [Pacta Sunt Servanda] e que não é nada mais que o Princípio Base de todo o Direito tal como o conhecemos, ou deveríamos conhecer. Ou seja, para sermos iguais a nós próprios estamos a reiventarmo-nos, estamos a criar de novo. À custa de quê? À custa da sangria da PSP enquanto entidade de policiamento geral e preventivo. Apostar-se em investigação criminal, tal como ela está, estamos a ser lacaios dos tribunais. [Os mesmos tribunais que ouvem os arguidos e os soltam enquanto nós ficamos horas à espera sem sermos atendidos]. Além disso não é nossa vocação. A PSP «quer» abarcar tudo e acaba por não ter nada; e o pouco que tem vai para o financiamento das «polícias especiais». Resumindo, criticou-se as opções políticas. Não se criticaram os polícias que, basicamente, as cumprem. Ninguém passou de bestial a besta.
ASSUNTO NÚMERO DOIS - O Diário de Notícias de 13 de Março [Jornalistas Licínio Lima/Rofrigo Cabrita] apresenta o seguinte texto: «Polícias protestaram ontem junto à residência do primeiro-ministro. Luís Maria, agente da PSP na Amadora, quer transferir-se para a GNR. Tem 42 anos, 23 de serviço e alcançando aquele desejo poderá reformar-se daqui a oito anos. Se permanecer na PSP só o conseguirá aos 62». O Expresso Online, [jornalista Ricardo Marques 19:35 Quinta-feira, 12 de Mar de 2009] publica o seguinte: «A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP), recebida ontem pelo secretário de Estado da Administração Interna, anunciou esta tarde que não vai participar na manifestação das forças e serviços de segurança marcada para o próximo dia 31». Sintomático.

Sunday, March 8, 2009

112 / O Novo Estapafúrdio Orgânico

Já foi posto a circular, supõe-se para consulta(?) e opinião(?), o chamado “Novo Estatuto Orgânico”, ou seja, o projecto-lei daquilo que, já se sabe, vai ser o amontoado de artigos que vão definir um comportamento policial nos próximos anos. Mais uma vez, vem encapotado pela consulta democrática, quer aos Sindicatos quer a alguma hierarquia, pois diz-nos a experiência que, quando a coisa vem para os dirigentes policiais e representantes sindicais se pronunciarem, já está tudo decidido.
O que é que realmente este “Novo Estatuto Orgânico” traz de novo? No que é que ele marca mesmo? A resposta é simples: A abolição em definitivo da importância estratégica de se ser polícia sem se ser especialista, i.e., ser patrulheiro, ser graduado de serviço, ser polícia de giro, enfim, chama-lhe o que quiserem, mas ser-se polícia normal.
O “Novo Estatuto Orgânico” parece o QREN, pois são tantas as tabelas e as formas de subsidiar os polícias especialistas.
Que se saiba, ninguém é obrigado a ir para o GOE, CI, CIEEXSS, SEGURANÇA PESSOAL, DIC, etc., etc. Estes especialistas são todos voluntários!!! Passam anos fora da realidade policial, daquela realidade que fornece os números e põe os governos aflitos. Estes especialistas quando se alistam já não querem ser patrulheiros. Como prenda de vontade, dá-se-lhes um subsídio. Subsidiar o quê? Estes especialistas ficam com os “melhores” polícias, gasta-se com eles mais recursos, mais viaturas, melhores instalações, são considerados especiais, não enfrentam o mundo real e no fim dá-se-lhes um subsídio? Isto está tudo invertido. Este “Novo Estatuto Orgânico” não foi feito para POLÍCIAS. Este “Novo Estatuto Orgânico” foi feito para umas pessoas que normalmente têm vergonha de ser conotados com os POLÍCIAS NORMAIS. Sentem-se num mundo à parte. Realmente estão num mundo à parte.
Este “Novo Estatuto Orgânico” não foi feito para POLÍCIAS.

Sunday, March 1, 2009

111 / A Origem da Estupidez

De repente Portugal acordou indignado e ofendido porque uma imagem forte e 'mutilada' duma mulher nua, que não por acaso, se encontrava como capa de revista, tinha sido censurada por uma organização fascista, conhecida pelo nome de Polícia de Segurança Pública, ao serviço de um Estado duvidoso, com sede em Braga. Essa censura havia sido prepretrada, imagine-se a coragem e desfaçatez, em plena luz do dia, após relatório anónimo, recolha sistemática de informações e ainda com recurso ao arquivo de informadores. A execução teria sido efectuada por elementos infiltrados, tipo agentes secretos ao serviço do regime, e supervisionada superiormente por um anónimo manda-chuva, certamente um delfim do regime.
Falando de coisas sérias, o que realmente espanta aqui não é a medida cautelar que a Polícia fez - e bem - mas sim até onde isto foi levado. Sendo óbvio que não foi censura do regime, porque será que o MAI veio meter o bedelho ao barulho? Porque será que tudo que tem a ver no terreno tem que ser o MAI a explicar? Será que a hierarquia não sabe o que faz? Quem sancionou o expediente policial e autorizou o seu envio para Tribunal é que deveria vir a lume explicar. Então para que servem os Comandantes Distritais e os Núcleos de Relações Públicas?
E agora um aviso: há muita gente na polícia a rir-se com este caso. Temos recebido correspondência a dar-nos conta do caso. Isto não é para rir. Quem pensa que, demarcando-se do caso, embora sendo polícia, está a fazer uma grande obra, é melhor começar a limpar as mãos à parede e começar a pensar em ser um bocadinho solidário, dar o benefício da dúvida aos colegas, camaradas e companheiros e deixar de municiar esses bandalhos da comunicação social que só querem sangue.

Tuesday, February 17, 2009

110 / Caminhar

Durante a nossa ausência [e já é a segunda, sempre por motivos técnicos] aconteceram muitas coisas no mundo. Pelo menos noticiaram-se muitas coisas. Se realmente aconteceu algo de muito importante, realmente muito importante, foi a confirmação da falência dos líderes mundiais. A falência da liderança global tem que forçosamente que ser reforçada por uma liderança local. Logo, se a liderança nacional [também] tem falhado, é localmente que se tem de agir. Se os legisladores têm andado a brincar, cabe-nos a nós agir, ainda que com adversidades adicionais: o poder judicial não percebe da vida; é novo, inexperiente, não conhece o mundo para além da Play Station Portable. Os(as) mais antigos(as) gostam de aparecer. O PGR é fotogénico. E nós, polícias qual o nosso papel? Obviamente que será, mais uma vez, limpar o servicinho que os outros têm andado a fazer. Em ano de eleições, meus senhores e minhas senhoras, pergunta-se: - Como será na polícia? Vai ser um ano de mudança, aproveitando a onda porque precisam [mais] de nós, ou vai ser mais um ano a ouvir o que nos prometeram e nunca cumpriram e nós a prometer que fazemos e depois passa o tempo e nada fazemos acontecer? Depois desta ausência prolongada, acho que deveríamos começar por esta reflexão.

Thursday, January 15, 2009

109 / Personalidade do Ano

Ao indicarmos DOM JOSÉ, lider da Igreja Católica em Portugal, como personalidade do ano, não o estamos a fazer pelo catolicismo, não o estamos a fazer pela religião. Ao fazê-lo, em Janeiro, mais absurdo parece; mas não é. O Homem veio ter com o seu rebanho e disse dos males que cada um poderá vir a padecer se se tresmalhassem. Foi mais longe e falou nos perigos das mulheres católicas abraçarem, romanticamente, o casamento islâmico. Indicou quais os perigos, dessa relação. O mundo Islâmico português mostra indignação, estupefacção. Acham que DOM JOSÉ foi radical e que o islamismo é mais do que indivíduos radicais a fazerem umas asneira pelo mundo. Pois, mas DOM JOSÉ, como líder, sabe que quem rege o mundo islâmico, o terrorismo, as burkas, as discriminações, não são os moderados, são os radicais, os românticos, os homens das cruzadas como outrora o cristianismo teve. DOM JOSÉ sabe do que fala.
Pela frontalidade, pela coragem, pela verticalidade, pela liderança e acima de tudo pela protecção do seu rebanho, para homens como nós, polícias, crentes ou não, em qualquer religião, funcionando em hierarquia, ver que ainda há quem esteja disposto a perder a postura do politicamente correcto e vir defender uma estrutura, uma cultura, um modo de vida que está constantemente a ser posto em causa, porque se sente acossado, só podem merecer a nossa admiração.

Sunday, January 11, 2009

108 / Fernanda inCÂNCIOquente

«Um polícia matou um rapaz. Em horas (minutos?), a versão DO polícia passou a versão DA polícia». Pergunta-se: porque não? Deveria ser, ainda que por dias, ainda que até trânsito em julgado, que não ofenderia ninguém. O arguido goza de presunção de inocência. Fernanda Câncio, cronista da revista notícia, aos domingos, e que também escreve no DN às sextas, espanta-se que a versão de polícias ajuramentados, representantes duma polícia nacional, armados, com meios postos à disposição pelo Estado, opinem e façam valer uma versão de determinados factos. Vai mais longe quando põe em causa a forma como foi recolhida a prova. Ela não sabe, talvez porque não lhe tenham dito, e então especula em torno de factos que ela entende estarem adulterados. Para ela não há presunção de inocência. Estamos a falar, para quem ainda não percebeu, do tal rapaz que levou um tiro na cabeça, a partir de uma pistola empunhada por um polícia, por um autêntico Orgão de Polícia Criminal. A crónica de FC no DN de 9 de Janeiro de 2009, sexta feira, é quase um manifesto, não contra a Polícia, mas contra todos os polícias individuais e sem poder de defesa. Para ela, o que lhe está entalado na garganta, é um polícia, uma pessoa singular, individual, trabalhando na polícia para a sociedade, para defender os bons, poder ser considerado inocente, repete-se, ainda que possa ser só até trânsito em julgado. O Facto, arrepia-a. Para ela, a praça pública deveria ter linchado o polícia. Deveríamos ter uma Grécia aqui em Portugal. Sr.ª FC, desculpe que lhe diga: por uma vez, aqui, neste blogue vai-se dizer exactamente o que nos vai na alma: para nós, para muitos de nós, foi um mitra que levou um tiro nos cornos e se fodeu!

Saturday, January 3, 2009

107 / Uma Coisa é Uma Coisa e Outra Coisa é Outra Coisa

Correio da Manhã, 2 de Janeiro de 2009, Página 51, Discurso Directo, PAULO RODRIGUES, Pres.Ass. Sindical dos Profissionais da PSP.
"CORREIO DA MANHÃ - A PSP está em condições de reforçar o combate ao crime violento, conforme desejos expressos pelo Governo e o Procuradoria-Geral da República?
PAULO RODRIGUES - A forma como a PSP está tratar o efectivo, e as condições humanas e de equipamentos que a corporação reune, não permite pensar que estaremos em condições para reforçar o combate ao crime violento.
CORREIO DA MANHÃ - Que se impõe fazer?
PAULO RODRIGUES - É preciso reforçar os investimentos.(...)
CORREIO DA MANHÃ - Qual o papel da PSP no combate ao crime violento?
PAULO RODRIGUES - É errado pensar que a Polícia Judiciária deve ter o monopólio no combate e na investigação do crime violento. A PSP tem uma estrutura de investigação criminal montada, e que trabalha com resultados visíveis (...)".
Afinal em que é que ficamos? Quando é para bater na tutela não valemos nada e falta-nos tudo e quando é para [mal] nos compararmos [com a PJ] já somos os melhores?

Thursday, January 1, 2009

106 / O PREOCUPADOR GERAL

Ser PROCURADOR é ter que tratar com cuidado de negócios alheios, administrar, governar, fazer expiações, afastar, desviar uma coisa funesta. Em bom português é o que deve fazer qualquer indivíduo que represente juridicamente qualquer pessoa, para além dela própria. É para isso que lhe pagam. Na Lei Orgânica do Ministério Público [ ESTATUTO DO MINISTÉRIO PÚBLICO Aprovado pela Lei nº 47/86, de 15 de Outubro com as alterações introduzidas pelas Leis nºs 2/90, de 20 de Janeiro, 23/92, de 20 de Agosto, 10/94, de 5 de Maio e 60/98, de 27 de Agosto ] no seu artigo 12.º, encontram-se descritas as funções do Procurador Geral da República. De todas elas, não se viu lá escrito, por mais voltas que se desse ao texto, a função de ser o indivíduo que se encarrega de alarmar as populações. O PGR quando fala, a sua imagem serena e séria, traída pela sua pronuncia beirã, faz com que as coisas sérias que diz o não pareçam tanto. Mas quando o PGR insiste em vir falar daquilo que não deve, e começa a fazer de tarólogo, as coisas complicam-se. Vejamos: no Correio da Manhã [30.12.08] vem assim - «PROCURADOR GERAL DA REPÚBLICA ALERTA "Criminalidade vai aumentar"; o próximo ano poderá ocorrer em Portugal "uma explosão de violência"; "Sempre que que existe uma crise social, um dos factores que dispara é o desemprego, disparando imediatamente a criminalidade".» Então, Senhor Procurador!!! Não é preciso ir a Coimbra tirar um curso para se saber disso. O que nós queríamos saber, é se o o Sr. PGR vai fazer alguma coisa. Que medidas vai tomar para afastar, desviar e combater a coisa funesta? O que é que vai fazer? Entretanto se nada fizer, ao menos não se transforme no PREOCUPADOR GERAL DA REPÚBLICA.

Saturday, December 27, 2008

105 / Entre o Natal e o Ano Novo

No ano passado, por esta altura, era moda falar da Polícia. Também se falava de criminosos. Das implicações, complicações, derivações e nomeações. Um ano depois acalmou. Entretanto meteram-se os professores pelo meio, veio a crise financeira e parece que nada se passa. Mas é puro engano. As ondas, acabadinhas de bater na praia, iniciaram o seu momento de retracção em direcção ao mar; retornarão com mais força, com mais entulho, maiores e mais destrutivas. Como se preparararam as forças de segurança [PSP / GNR / PJ] para os novos desafios? A resposta é óbvia: não se prepararam. Está tudo como dantes... Por isso, cabe-nos a nós, camaradas, companheiros, amigos, POLÍCIAS, mais uma vez, independentemente do governo, do ministro ou quem quer que seja, fazer cumprir a LEI da [única] maneira que sabemos: com honestidade. É isso que os nossos concidadãos esperam de nós. Boas entradas.

Wednesday, December 17, 2008

104 / Mário O DesCOBRIDOR

Há alturas que espantam! Normalmente, quando algum figurão toma posse, aparece uma dessas alturas. Teimam em babosear-se, ornamentar-se, chicoespertar-se, etc. São uns autênticos descobridores da pólvora. Ao Sr. novo Inspector Geral da Administração Interna [IGAI], que desde já recusamos a desejar umas boas vindas, não pelo lugar e funções, mas pela pessoa em si que nos gera um grande sentimento de insegurança e parcialidade.[ E porquê? Porque ele próprio tem aparecido em momentos processuais pouco claros e menos esclarecidos. ] Na tomada de posse - mais uma vez - o discurso de quem acha que, quem cá anda há décadas, não tem andado a fazer nada e, com a chegada do iluminado, tudo vai mudar: «É preciso arranjar maneiras, métodos, sistemas e meios para combater esse sentimento [de insegurança das populações]». Parece que não ofende mas ofende. O que é que nós temos cá andado a fazer? Quanto às maneiras, Sr. IGAI, podemos começar por dar algumas sugestões: Sempre que apontar um defeito numa Esquadra Policial ou Posto da GNR, faça-se acompanhar dum cheque, de preferência chorudo, para de imediato se proceder às alterações propostas e erros apontados. Liberte os motoristas, telefonistas e recadistas que tem, porque são polícias; libertem-se os motoristas dos governos civis que são polícias; que se notifiquem os tribunais para que sejam eles a fazer as notificações e que para o efeito têm que dotar os seus quadros. Sr. IGAI, para terminar, informa-se que a sua tarefa deve ir para além das polícias e de processos a polícias. A Administração Interna é enorme. Investigue o SIRESP, as ambulâncias, as compras para o combate aos incêndios e quem as fez. Sr. IGAI: Trabalhe e deixe que as polícias combatam a insegurança e o seu sentimento, pois não é com burocratas que se combate o dito cujo.

Tuesday, December 9, 2008

103 / Oh! É Lá Fora!

Mumbai, Lá Fora n.º 1 - Na India, o aviso terrorista não podia ter sido mais claro: os valores dos fundamentalistas islâmicos estão plasmados nos resultados. Também na audácia da execução. Por parte da autoridade do estado, a impotência da contenção. O exercício só acabou com a morte dos terroristas. O exército da maior democracia do mundo, também participou.

Atenas, Lá Fora n.º 2 - Na Grécia, o aviso terrorista vem encapotado. Resumidamente um polícia matou um jovem de 15 anos. Os jovens descontentes protestaram, manifestando-se. O governo tomou as medidas que tinha de tomar: suspendeu os elementos suspeitos dos disparos e (supunha-se) o caso seria resolvido no tribunal. A oposição [essa sim assassina porque aproveita as circunstâncias] fomenta as manifestações contra o governo para ver se este cai. Assim vai o povo na democracia mais antiga do mundo.

Wednesday, December 3, 2008

102 / Os Comentários

Assumir que se quer ter um blogue é assunto fácil nos dias que correm. Antes de se ter feito a primeira publicação, em 19 de Janeiro de 2007, pensou-se no modelo e assumiu-se o que se pretendia dele. Pensamos que estamos no caminho certo. Para quem não vive desta publicação, até que o resultado não é mau: uma certa actualidade, textos cuidados (embora nalguns casos com erros apesar de se tentar evitá-los) e uma foto/imagem que nem sempre parece ter a ver directamente com o texto. Mas a mensagem está lá. Este blogue pode ser um local de reflexão. Pode sim senhor. Este blogue é feito com cuidado, gosto, empenho e tenta falar de assuntos vários não seguindo uma agenda específica. É um local que não vive de publicidade, é obvio, pois não a vislumbram, mas dá-se muito bem com a publicidade que lhe fazem. Porquê esta conversa? Simples. Este blogue vive com comentadores ou sem eles. Já aqui várias vezes se pediu que os comentários tivessem alguma qualidade de conteúdo, que quem os lesse os percebesse e que estivesse minimamente ligado com a mensagem. Não é o que acontece muitas das vezes. Agradece-se a persistência dos comentadores que não se deixam enrolar na conversa baixa de outros. Queríamos manter o blogue com os comentários abertos e livres. Gostaríamos de continuar assim, pois tecnicamente poder-se-ia impedir a entrada dos comentários menos próprios e até ininteligíveis. Concluindo: todos podem e devem colaborar. Para quê o comentário impróprio se ninguém o entende?

Friday, November 21, 2008

101 / Salamaleque*

O nosso contacto com Mário Contumélias foi através do CENJOR [ Centro Protocolar de Formação para Josrnalistas ] local por onde também passou como formador o outro autor do livro. Mário Contumélias, ao longo de alguns anos foi ouvindo e escutando muito de muitos. Ouviu e escutou, tanto de Oficiais da PSP como da GNR
Deu formação a elementos que agora se encontram em lugares de destaque na vida policial portuguesa. Desde o actual n.º 2 do SISI, passando pelo 2.º Comandante do Comando Metropolitano do Porto, pelo representante da PSP em Bruxelas, pelo Chefe do Departamento de Operações e Segurança da Direcção Nacional, pelo Comandante da Escola Prática da Polícia, pelo responsável regional do Norte do SIS, etc., etc., etc. De Norte a Sul, dos Açores à Madeira, deu formação a inúmeros Oficiais de polícia, tanto do Instituto como oriundos da carreira de base. Ouviu muito de muitos. Também contou muitas histórias, muitas cumplicidades entre jornalistas, governantes e marcas de produtos. Contou como se lança um Presidente, como nasceu e aparece, a cada manhã, um jornal diário. Contou também como se fazem algumas manchetes de jornais e como se vendem determinados medicamentos, como por exemplo, os comprimidos para a gripe. Contou para que servem os Gabinetes de Comunicação. Também confidenciou como os jornalistas estagiários são explorados pelos jornalistas/directores/patrões da imprensa, sem direito a ordenado e, muitas das vezes, sem poderem aceder à cantina do jornal onde fazem o estágio. Tudo isto perante a passividade de jornalistas como ele. Contou muitas coisas. E foram muitos a ouvir.

Se este livro pretendia ser um retrato da polícia, falhou redondamente. Não se duvída de que os testemunhos ali registados sejam verdade e aconteceu [e acontece] algures a alguém. Infelizmente vai acontecendo. Temo-lo registado aqui várias vezes. Mas a polícia é muito mais do que ali se encontra registado. Além disso é vergonhosa a colagem a um sindicato e o critério [compreensível] de manter o anonimato para uns e a inversão [incompreensível] desse mesmo critério para outros. Também é vergonhoso levantar suspeitas e depois nada escreverem alegando que precisavam de investigação jornalística. Os autores sabem e podem fazer melhor. E eles sabem disso. Também foi decepcionante [mas já não supreende face ao trabalho apresentado] ver os autores num programa de televisão de qualidade duvidosa.

Uma pergunta: Conhecendo os seus autores, a pergunta que se põe é a seguinte: -que medicamento é que estarão a preparar-se para vender?

Uma segunda pergunta: que faz ali o Ministro Rui Pereira?

Concluindo: o livro em questão, é uma peça mal trabalhada dos autores. Poderiam e deveriam ter ido mais longe. O que fizeram, foi entrevistar alguns polícias e fazer uma ligação mais ou menos lógica do texto. Qualquer pessoa que saiba português o consegue fazer. Nem precisa de formação para o efeito. O livro que está por detrás dos nomes não vale o dinheiro gasto na compra. Este livro, sem os nomes dos autores, vendia o número de exemplares correspondentes aos convidados no dia do lançamento, nada mais.

* {do Lat. contumelia - s. f., afronta; injúria; insulto; - fam., mesura; salamaleque; vénia.}

Monday, November 17, 2008

100 / Inominados

De repente, parece que Portugal, descobriu que alguns indivíduos se serviam do futebol para negócios escuros. Chamem-lhe os nomes que lhe quiserem chamar, eles não se importam, pois faz tudo parte de uma cultura não só tribal como criminal. E acreditem numa coisa: não há clube ou SAD inocente no meio desta porcaria. Esses grupos organizados envolvem-se com a sociedade da lei e das regras, e usam-nas para se defenderem. Vivem, organizam-se e proliferam em torno da violência e ilegalidade. Durante anos tem sido assim. Por causa destes abstrusos, que os clubes/SAD alimentam, directa ou indirectamente, abertamente ou por baixo dos panos, voluntária ou forçadamente, que se têm passado das cenas mais violentas da nossa inocente sociedade civil, esta sim, a verdadeira prejudicada pela existência desses bandos organizados. Às pessoas, ao cidadão vulgar, não lhe passa pela cabeça o que estes indivíduos são capazes. Eles têm vindo num crescendo abusador; uma impunidade sem precedentes: ameaçam, traficam, agridem, insultam, cospem... e as Forças de Segurança ainda lhe têm que dar protecção!!! Muitos dos serviços (ditos) remunerados, para não dizer quase a sua totalidade, que as forças de segurança fazem aos estádios, são obrigatórios e executados nas horas de descanso dos elementos policiais. Os mesmos elementos policiais que depois vão entrar de serviço já completamente estafados. Para não falar ainda que todas as despesas dos meios materiais que são postos ao dispor destes serviços, se repercutem negativamente nos orçamentos das forças de segurança: os clubes/SAD limitam-se a "pagar"(!) uma mixordice por indivíduo e não é a todos [ver mensagem 47 / ... e Mal Pagos]. Estes criminosos têm que ser banidos enquanto grupo, e detidos, julgados e condenados enquanto indivíduos. Para que os verdadeiros adeptos possam retornar aos campos de futebol.
Por curiosidade, ver também as mensagens [46 / Espanto - 2 de Março de 2008] e [72 / Disfuncional - 20 de Maio de 2008]

Wednesday, November 12, 2008

99 / Desistir

De tempos a tempos somos confrontados com a triste realidade dos suicídios que vão acontecendo, tanto na PSP como na GNR. Normalmente aborda-se o facto, o suicídio, como um número, ou seja, com infomações do género: «GNR matou-se ontem e subiu para 14 os casos de 2008»[Subtítulo da manchete do Diário de Notícias de 12 de Novembro]. Depois compara-se com os elementos da PSP que se suicidaram no mesmo período. É triste, mas é assim que as coisas são apresentadas: por números. A reportagem do Diário de Notícias, que até ocupa um lugar nobre do jornal (centrais e mais uma página) não diz nada de novo: apresenta casos reais, graves, mas comuns a várias profissões e dá voz a vários doentes e entre eles, um com 50 [cinquenta !!!] processos disciplinares: «Há cerca de 50 processos internos contra mim». Por seu turno a GNR diz que vai fazer autópsias psicológicas* .Vamos aqui propôr que nos deixemos de brincadeiras, pois a realidade já não se compadece com mais estudos. Já todos sabemos o que está mal, logo pergunta-se: porque teimam os nossos dirigentes em agir?
[Sobre este assunto, veja-se a mensagem 90 / Real]
{ [*A autópsia psicológica é um procedimento utilizado em casos onde há dúvidas sobre as circuntâncias de uma morte, fazendo-se [se] necessário uma reconstrução do perfil psicológico da vítima e seu estado mental antes do fato juridicamente questionado] in "sanidadeinsana.blogspot.com"[O objetivo é firmar sintomas que sejam determinantes de suicídio, com os quais um número satisfatório de analistas concordem, para que se possa a partir daí avaliar pessoas que corram o risco de se matar e prevenir o problema] in "www.prometeu.com.br"}